A morte e a vida

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Comprei, para o funeral do meu pai, gravata preta na Estação Central de  Oslo. No comboio que se afasta da cidade rumo ao aeroporto procuro algum consolo em palavras de Rentes de Carvalho. Tentando, ao mesmo tempo, repescar na memória fragmentos do seu texto “O enterro de meus pais” que li inúmeras vezes; sabendo que um dia, fatalmente, iria viver algo de muito semelhante.

À dor recente, aquela que sentia ali no comboio, rumo à visão do seu rosto já frio daí a umas horas, somava a de sempre: a  da sua  vida, vivida nos primeiros trinta e oito anos sob uma das ditaduras mais estúpidas da Europa. Nado e criado num mundo rural onde o analfabetismo e o trabalho de sol-a-sol eram regra, raras vezes (se alguma) pôde sentir conforto ou empatia num texto de outrém. Ou, aquilo que é, porventura, mais importante; gratidão.

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