Trinta dinheiros

Ao voltar a casa de moto, esta tarde, parei junto a um café de província. Um dos filhos de um casal que se sentava na explanada ficou excitadíssimo com a máquina. Veio tocar no capacete que trazia na mão, falar comigo. E as preocupações começaram. É o único defeito que acho naquele tipo de moto. O motor boxer, numa moto que só tem um pedal de descanso lateral, é uma fonte de inquietações. Uma criança excitada que desequilibre aquele monte de metal fazendo-o cair sobre si, corre perigo de vida se uma das cabeças do motor a apanha. Tomei o café vigiando os movimentos do miúdo, preocupado.

E é um dos meus cuidados. Estacionar aquilo de forma que não cause perigo. Este Verão, na praia de S. Bernardino (a sul de Peniche) lá a deixei dessa forma. Inclinada sobre uma árvore. Onde não causasse estorvo aos peões e onde não trouxesse perigo a crianças aventureiras. Esta árvore, a segunda a contar do café, que na altura, no pico do Verão, tinha ramagem tão densa e baixa que qualquer adulto teria que se baixar para passar debaixo dela. Um agente da GNR, não viu naquilo o motociclista cuidadoso. Viu a infracção, o estacionamento ilegal no que denominou de «ilha». Trinta euros de multa. Pagos no multibanco com o costumeiro sorriso de desprezo para com as instituições nacionais, estão para a segurança da população como os trinta dinheiros de Judas para a história do cristianismo. E como a estupidez necessita da homenagem, aqui fica.

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