Mãos de prata

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Ao circular pelas redondezas vou vendo o produto dos trabalhos do meu melhor amigo, mostrando à minha mãe que tem passado as últimas semanas comigo, as palmeiras limpas por ele. Admira-se ela com as alturas em que trabalho tem que ser feito; e especialmente  (olho de camponesa) com o não ver deixadas feridas nas árvores. Diz dele, «aquilo tem umas mãos de prata.»

A meio da semana, no decorrer de jantar tardio, conto-lhe divertido a afirmação das mãos de prata. E aprecio a sorte de tal jantar. Atrás de mim, uma mesa de mais de meia dúzia de raparigas já adultas ou muito perto disso, pintadas e com roupas apelativas (pelo lado do pouco pano) fazem um escarcéu do diabo. Adivinhava-se festa rija pela noite dentro. E é um prazer jantar com um tipo que não fica a babar-se com miúdas que terão idade de ser nossas filhas, a fazer comentários menos elegantes, a espiar. Nele acresce às mãos de prata maneiras d’oiro.

Vejo ao longo das estradas as palmeiras elegantes enfunadas de vento, e são como pendões de esperança; sinais de que, apesar de raro, nem tudo é javardice e parasitarismo. Há mãos de prata e maneiras d’oiro.

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Sobre soliplass

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