Pois é camaradas

acusar o bom Rentes de Carvalho de estar prestes a instaurar o fascismo no reino dos Países Baixos a partir de uma intenção de voto tornada pública é fácil. Difícil mesmo vai ser solucionar os problemas institucionais que se começam a vislumbrar.

Vai ser bonito (lá ou em qualquer outra democracia parlamentar) com deputados que representam a Nação versus deputados que não se sabe que nação representam.

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Sobre soliplass

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7 respostas a Pois é camaradas

  1. O que não tira valor nem carga simbólica à sua (dele) declaração de voto num nazi, não é verdade? Toda aquela “independência” que o homem apregoa, e o desprezo pelos partidos (devia gostar de partido único) sempre me cheirou a canga salazarenta. Isto para nem falar do negrume com que menciona o 25 de Abril. Reconheços que é moraleirismo a mais para quem quer expulsar marroquinos.

  2. Joel diz:

    Essa de dizer que acusaram o Rentes de Carvalho de estar prestes a instaurar o fascismo no reino dos Países Baixos soa a falácia straw man. Não li ninguém que o dissesse ou que o insinuasse, mas, se estou errado, cite por favor. Li foi pessoas que mostraram a sua indignação com a declaração de voto do escritor, talvez porque lhe atribuíam uma estatura intelectual e cívica que essa declaração de voto contradiz. Seja como for, fazer do Rentes de Carvalho uma vítima, como parece ser o caso do seu texto, parece-me um exagero e uma ironia involuntária.

  3. soliplass diz:

    Claro que o ” estar prestes a instaurar o fascismo no reino dos Países Baixos a partir de uma intenção de voto tornada pública” é uma ironia.

    Caro Luís, eu gosto muito daquele gajo. Li-lhe a obra toda publicada, corri dezenas de sebos brasileiros à procura dos livros anteriormente editados em Portugal que não se encontravam já, li este último romance O Meças sete ou oito ou nove vezes, nem sei já. Sei que o quase decorei. De modo que quando um autor do Corta- Fitas abre um post com a frase “Não conheço o suficiente de Rentes de Carvalho (li um livro de que não me lembro o nome mas de que me lembro de ter gostado bastante)” consigo reconhecer imediatamente que livro foi. Quase que apostaria que vc também…
    Diria que aquilo (o bom Rentes) é sujeito dos mais benevolentes e de maior espírito igualitário que conheci. Estar eu a dizer bem dele não o favorece em nada, é claro. Antes o contrário. Sou apenas um pobretanas que trabalha no fundo de um navio…
    Gosto um pouco mais de si, mas vc é mais novo e mais giro e (gabou-se às leitoras lá do blog, se bem lembrado estou) tem six-pack. Está o homem a fazer uma má escolha? Talvez. Mas é a vida, também eu já vou no terceiro casamento…

    Claro que me entristece que a direita e mailos tontinhos do observador o estejam a aplaudir por as declarações dele lhes estarem a cair bem na agenda. Mas não é pelo aplauso de agora. É porque no dia em que o que algo que ele venha a dizer ele não lhes cair bem na agenda serão os primeiros a pregar-lhe uma parelha de coices.

  4. Caríssimo, essa referência ao meu six-pack revela bem a enormidade dos logros que o alcançam lá no fundo da barcaça. E gira é a namorada que enganei com parlapié (todas as semanas mo diz) há oito anos e tal. Agora vamos ao osso.

    Não duvido que goste muito do Rentes, como gostaria de um avôzinho que o levasse ao cenotáfio do Vasco da Gama e do Dom Afonso Henriques aos domingos de manhã, e lhe contasse histórias edificantes de Lisboa antiga — como as ruas eram limpas, com varinas educadas, como ele ouviu a Severa num tasco da Mouraria e a musa faria empalidecer de vergonha os teddy boys e as lambisgóias do António Calvário, etc. Você está no seu direito.

    O petit problema é que o Rentes, que andou décadas a afectar ares de enjoado com a política, coisa suja, sem careio, cheia de maricas “politicamente correctos”, etc., decidiu tornar-se comprometido precisamente na altura em que a velha Europa decide se prefere a democracia ou outra coisa qualquer. E ele prefere outra coisa qualquer. Não era necessária grande perspicácia para adivinhar que lá chegaria.

    Ora, isso ultrapassa em muito as incontinências de um velho esclerosado, que aliás nem julgo que ele seja. É mesmo de racismo e xenofobia que estamos a falar.

    E eu, que dividi blogues com a direita ultramontana, com o Picoito, com as betas do Delito, etc., confesso que tenho dificuldade em ficar calado quando me atiram areia para os olhos em paleio fascizóide. Isso nunca me impediu de gostar muito do Picoito, como não gosto nada da Joana Amaral Dias.

    Mas acrescento que escuso de manifestar as minhas indignações na sua caixa de comentários, coisa que não devia ter feito, e que apenas fiz, com certo desrespeito por si, porque a conversa do Rentes me repugnou de uma forma física e total.

    Abraço.

  5. manuel.m diz:

    Vejo que o Soliplass, ( já vou no terceiro casamento…), é um incorrigível optimista. Daí manter a admiração no seu alter-ego Rentes. Mas temos de admitir que ele foi um pouco longe demais dando publicidade ao voto no Geert Wilders. Ele que vivendo lá tinha mais que obrigação de saber o que esse individuo defende. É como uma raspadinha : Estava mesmo à superficie.

  6. soliplass diz:

    Neste caso o do (já vou no terceiro casamento) caríssimo Manuel, as optimistas foram elas.

    Quanto à declaração de voto de Rentes: para um tipo como eu, formado em Ciência Política, não posso estar a fazer daquilo bicho-de-sete cabeças. Fosse no caso de Rentes ou tivesse sido no caso de outro. A alteração do sentido de voto, naquele tipo de sistema de representação proporcional (e a Holanda é um caso extremo com o seu círculo único) onde há praticamente um século algum partido esteve próximo sequer da maioria, com uma alta fragmentação do espectro partidário e com um baixo índice de polarização ideológica, uma alteração de sentido de voto é quase coisa inócua. De facto, nos países daquela área geográfica, é prática comum. Qualquer politólogo o sabe e qualquer leigo o descobre se pesquisar no google os termos “electoral volatility”. Porque dificilmente a alteração do sentido de voto se irá traduzir em qualquer tipo de política pública que o candidato anuncie que vai fazer. Depois não faz nada porque tem que passar por um processo de negociação com outros partidos. Porque não pode alterar as leis fundamentais do país, nem a teia de acordos e convenções internacionais a que o país está obrigado, porque enfrenta uma opinião pública esclarecida, porque as políticas públicas são decididas muitas vezes em comités e comissões parlamentares especializadas… etc. E isto é, se realmente alguma vez teve intenção de mudar o que quer que seja, e não apenas em caçar votos e ser eleito. É coisa bem sabida que a posição ideológica dos líderes é sempre mais moderada que a dos eleitores. E depois no norte da Europa já levamos uns anos disto. Aqui na Noruega houve um do género de Wilders; Carl I Hagen (https://no.wikipedia.org/wiki/Carl_I._Hagen) do FrP, ou partido do progresso. Hoje, o FrP é um dos partidos do governo, e a sua sucessora (Siv Jensen) dedica-se plácidamente a enriquecer. Não a perseguir paquistaneses pelas ruas de Oslo.

    Eu próprio, como militante do PS comecei a votar no BE. Desagradava-me o partido (PS) ter passado de um partido trabalhista ou social-democrata na tradição europeia a um centro de emprego e plataforma de negócios. De alguma forma, o aumento relativo de votação dos partidos à sua esquerda parece tê-lo de alguma forma re-orientado. Está mais parecido com um partido hoje em dia. É claro que ao votar no BE (previsivelmente continuarei a votar nas próximas eleições) não quer dizer que o meu voto sirva para instaurar no país um sistema radical e esquerdista que vá subverter as instituições. Como a gente facilmente constata (helás), apesar do BE fazer parte da geringonça, as instituições relevantes continuam a funcionar regularmente. Isto é, a Galp, a Edp, a Brisa e a CP, os bancos e o fisco continuam a roubar os portugueses praticamente da mesma forma e no mesmo grau que antes.

    Isto, como sustentava o outro no “Rasselas ” (https://ancorasenefelibatas.files.wordpress.com/2011/03/2011_0109fotos0050.jpg) do velho dr Johnson, não é preciso ver o espectro da fome em cada voo de gafanhoto. Digo eu…

  7. soliplass diz:

    Caro Luís, não sei porque carga de água foi o seu comentário (do dia 23) parar à caixa de spam, só agora dei com ele. Vai um gajo rachar cavacas para a floresta e isto fica em roda livre…

    Quanto a manifestar as suas indignações, aqui está em casa. Eu continuo a pensar de outra forma, coisa que tentei explicar de forma sucinta (e um pouco ligeira, convenhamos) ao Manuel m. E como são quatro da matina e só agora cheguei a casa depois de uma viagem longa, outro dia conversaremos.

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