Os tubarões – se outra coisa me atrevo a aconselhar que não favas com chouriço

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Volto com maravilhamento e espanto ao grande romance de Jens Bjørneboe Haiene, «Os Tubarões». O último dos seus romances, este volume um exemplar de leitura (não comercializado) dado pela vizinha livreira para leitura de avião. Para os que gostam de histórias (ou romances) marítimos isto é uma maravilha que (felizmente), se encontra traduzido em inglês sob o título «The Sharks». Mistura que lembra os grandes Billy Bud e Moby Dick de Melville, Thyphoon de Conrad, relatos de Loti, A Revolta na Bounty, este romance tem a conveniência de ter sido escrito na linguagem moderna, à luz da experiência do sec XX. O século de Bjørneboe. Tenho pena que estas coisas não estejam traduzidas para português. Também o romance de Roy Jacobsen, o de capa azul, «Os Invisíveis», vertido para língua inglesa sob o título «The Unseen» e agora na lista para o Man Booker International Prize de 2017.

Mas o melhor é não confiarem em mim, lerem a recensão do Haiene, ou «The Sharks», ou «Os Tubarões» na Scandinavian Books:

The Norwegian author Jens Bjorneboe (or Bjørneboe – 1920-76) was a controversial figure in Norway. He was outspoken and an anarchist, and he clashed with most social institutions in his determination to challenge repression, censorship and authoritarianism. Novelist, poet, playwright, journalist, and essayist, as well as author of a banned pornographic book, Jens Bjorneboe poured forth a steady stream of works which were as provocative in their subject matter as they were innovative in their form.

The Sharks (1974) was Bjorneboe’s last major work. The novel is set in the year 1899. The Sharks tells the story of daily life on three-masted bark Neptune, sailing from Manila to Marseilles with a cargo of hemp. The issues of diversity, violence, oppression, love, and interdependence presented are familiar concerns for contemporary readers at the end of this century.

It is a tale of mutiny and shipwreck, which bears comparison with Melville’s Moby Dick or Conrad’s Typhoon in its suspense and its evocation of the fascination of the sea. It is also the story of mankind’s voyage into the twentieth century, suspended between the empty skies and the bottomless depths, dreadfully aware of its potential for self-destruction but clinging to a belief in the preservation of a fragile humanity.

The narrator, Peder Jensen, is both competent second mate and an unworldly philosopher, whose brain “lacks walls, a floor and a roof”. Through his eyes, we follow the dismantling of the rigid power structure on board as a community begins to emerge.

A white European, Jensen is in a privileged position as officer aboard a British ship. He gains our sympathy by being aware of his privilege and resisting the role of oppressor. He feels a revulsion toward his sometimes cruel and greedy fellow-officers and is supportive of the crew, “that strange assemblage of folk from every corner and edge of the globe, of every colour and race, denizens of the whole world’s docks and ports.” As the crew moves toward mutiny, Jensen is caught in the middle of the power struggle betweeen groups.

Sensitively rendered into English by translator Esther Greenleaf Murer, The Sharks is a significant contribution to world literature, as well as being a good read.

This is an action novel and an allegory. The Sharks is a very interesting and exciting story told by a skilled storyteller.

Digo que é melhor não confiarem na minha capacidade de discernimento por uma questão simples e prática, uma das histórias ridículas da minha vida. Que hoje me faz rir quando a conto. Entre a licenciatura e o mestrado decidi dar um ano ou dois de intervalo. Maravilhado por livros, com pena de alguns destes tesouros não estarem disponíveis ao público em língua portuguesa, tive a peregrina ideia de oferecer trabalho voluntário a editoras em Lisboa. Poderia ter sido distribuir caixotes, poderia ter sido outra coisa. Desde que servisse para propagar a leitura, divulgar estas maravilhas…

Aquilo que a minha capacidade de discernimento não me deixou prever, foi o mais óbvio e previsível: se me apresentasse como dr. ainda passava da telefonista. Com cunha, ou conhecido de alguém, tudo era possível, até trabalho remunerado. Sem cunha, ou sem ser conhecido, trabalho gratuito e voluntário é que nem pensar. O normal e previsível. A anedota do costume…

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Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
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