Burocracia à portuguesa

Miguel Szymanski no DN:

“Desde logo, o Estado fala e escreve numa língua que não foi feita para comunicar. A reação de quem abre uma carta das Finanças, de um tribunal ou de uma direção-geral é, após a segunda ou terceira leitura, perguntar: “O que é que estão a querer dizer-me?” É preciso estar no topo da hierarquia para se vencer a linguagem dos burocratas.

Enquanto o Código Civil francês estava a ser escrito, os juristas tinham de ir regularmente ler os novos artigos a Napoleão. Quando Napoleão não entendia o sentido, mandava os juristas reformular os textos e voltar na semana seguinte. O objetivo era que o cidadão percebesse o que o Estado lhe estava a dizer. Na burocracia portuguesa dos regulamentos, dos requerimentos e dos impressos avulso acontece o contrário.

Isto começa com coisas simples. No site do Ministério da Educação, as férias não se chamam férias, são “interrupções das atividades letivas”. Por todo o lado, abundam siglas como CCDRLVT, que convidam a desistir antes de se começar a ler. E antes de se entender uma frase como “por razões de segurança não é permitido permanecer entre o bordo do cais e a faixa longitudinal amarela nele existente”, já o utente caiu nos carris do metro.”

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