A haste do copo na montanha da ópera

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Será impossível de preservar numa tradução para português a graciosidade e a melodia do título da colectânea de contos de Jon Michelet publicada pela editora Oktober (Oslo, 2010). Soa a qualquer coisa como snôfunenes guêográf , significa algo como «o geógrafo dos amontoados de neve», ou «geógrafo das formações de neve». Arriscando um pouco, «geógrafo das dunas de neve», contrastando aqui o rigor da ciência geográfica com a perenidade de tais formações. À guisa de preâmbulo do primeiro conto cujo título é também o título da colectânea, Jon Michelet deixa-nos uma deliciosa história que traduzo de forma um pouco menos que literal:

Na Operafjellet (montanha da ópera) no Adventdalen (vale do advento) na parte oeste de Spitsberg, todos os anos aparece uma formação de neve a que chamam o copo de champanhe. Quando a neve se amontoa na vertente da montanha, as depressões do declive dão à formação uma aparência de uma taça de champanhe. É visível do ponto elevado Skjæringa em Longyearbyena cidade que é o maior aglomerado populacional norueguês no arquipélago ártico de Svalbard.

A certo ponto do degelo que ocorre durante o início do curto Verão forma-se um campo onde a ligação de neve entre o bojo da taça e a haste (stetten) se interrompe. O «agora que se foi a haste», como os locais de Longyearbyen se referem a esse momento marcante, inaugura o início do Verão nas Svalbard.

A haste pode derreter por volta do S. João (em anos bons) ou mais tarde, por volta do que os almanaques chamam midtsommerdagen (dia do meio do Verão), a 14 de Julho. Em certo ano, passado que era 14 de Julho sem que a haste derretesse, um grupo de mineiros da mina de carvão local deitou mãos à obra; subindo a típica formação de neve da montanha da ópera, munidos de pás de neve cavaram uma faixa de cerca de dois metros a toda a largura da haste imediatamente abaixo do bojo da taça de champanhe.

De volta à cidade proclamaram que agora, que a haste se fora,  já era Verão.

N’O Correio das Svalbard, o jornal mais a norte do mundo, na página onde podem ver a curiosa formação, ainda o ano passado se oferecia uma garrafa de champanhe a quem adivinhasse a data em que a haste (finalmente) se iria.

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Sobre soliplass

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