Emancipação feminina e a Ribeira dos Milagres

Era executiva de uma das empresas que o cavaquismo deixou a pastar no celebrado baldio do que é de todos não é de ninguém. Bastante emancipada e de formação superior. Sôdôtora até na própria cabeleireira. Controlada, não se lhe notavam falhas em questões de maîtrise de soi, à excepção de um ocasional escapar de expressões como «derivado a», ou «fazer praia».

Foi com surpresa que lhe vi levantar, num repente, a mão ao filho. A julgar pelo súbito e impetuoso do gesto à ferreiro, o carolo vinha de martelo em bigorna. O rapaz, pachola e deixa-andar, um pouco maria-vai-c’as-outras como é próprio dos adolescentes, tinha pago não sei o quê (nem que montante), creio que uns ingressos num concerto, a umas colegas de liceu.

Depois, também num repente irado, trouxe a mão lá de cima, da posição de culatra-atrás para a frente dos olhos, onde ficou num movimento de escova de pára-brisas. Oscilando a um lado e ao outro.

O berro: «Olha! Tapado! És um tapadinho!» E rugindo depois, um olhar de desprezo: «Não te ponhas a pau não!» «Não te ponhas a pau que essas putas comem-te as papas na cabeça!»

.

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s