Momentos, colheitas

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Ontem, ao comprar caixinha de cerejas para presentear minha mãe, encontrei um dos colegas de grata memória do curso de ciência política da FCSH, que raramente vejo ou revejo. Diz-me que é editor da Lisbon Poets & Co. Logo me presenteia com este Poetas de Lisboa, versão bilíngue, em português e castelhano. Deliciei-me hoje com a versão castelhana de poemas conhecidos numas (breves) horas de praia. Entre outros poemas traduzidos, o «Uns, com os olhos postos no passado» de Pessoa/Reis. Tradução elegante, a de Maria Matta. Que não fica a dever (traduz o original «hausto» por «sorbo» em vez de «trago») à versão que García Martín usa na tradução que apresenta nesta forma :

«Unos, con los ojos puestos en el pasado,
ven lo que no ven; otros, fijos
los mismos ojos en el futuro, ven
lo que no puede verse.
¿A qué buscar tan lejos lo que está cerca,
nuestra seguridad? Este es el día,
esta es la hora, este es el momento, esto
es lo que somos, y no hay más.
Perenne fluye la inacabable hora
que nos proclama nulos. En el mismo trago
en que vivimos moriremos. Coge
el día, otra cosa no eres.»

Fazendo jus ao ensinamento, entre os afazeres do dia, um niquinho de tempo se arranjou para parar e prosear um pouco na livraria deste admirável barbudo que aqui, nest post, tão bem discorre sobre um salário insuficiente para o acesso a bens culturais – e o comentador que diz: (o engraçado das culturas é que normalmente quem ganha mais que suficiente para comprar bilhetes, recebe borlas…) – mal não discorre também.

Já a horas tardias, depois de jantar, em vez de especado em sofá frente à TV me maravilhar com os atributos físicos de Teresas Guilhermes e quejandas, desço, na companha de noites cálidas aos campos de Alpiarça. Aproveitando a brisa fresca, cheiro de vinhas e meloais, o jazz da smooth fm nos auriculares dentro do capacete.

Ao «Coge el día, otra cosa no eres» é de bom aviso presumir que «la noche» com os seus cheiros e tranquilidade, o ronronrar suave de um motor boxer, é também de colheitar. Que outra coisa não somos. Nem temos.

.

 

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
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2 respostas a Momentos, colheitas

  1. hmbf diz:

    Que me chamem admirável barbudo, ainda vai… Mas alguém se maravilhar com os atributos físicos da Teresa Guilherme denota algo de preocupante. Andará o microclima do Oeste a fazer das suas?

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