The crossing

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Tenho andado a reler aos pedaços esta belíssima peça de McCarthy. O culpado, Seixas da Costa, e o post A pasta “vermelha”E o desgosto de ver logo como primeiro comentário ao post, por um anónimo, “Esta mania que as pessoas têm de escrever frases em estrangeiro, confiando que todos são obrigados a entendê-las…”

Seixas da Costa utilizou ou reproduziu ali no contar da deliciosa história uma frase de um diplomata espanhol e zás! Comentário negativo. McCarthy utiliza-as constantemente ao longo deste belíssimo romance (com particular intensidade no episódio em que o jovem protagonista ao tentar devolver uma loba à serra mexicana de origem acaba por vê-la utilizada em luta até à morte com outros cães numa arena depois de esta lhe ter sido confiscada pelo aguacil mexicano como objecto de contrabando ) que é dirigido ao público anglófono sem que o mundo tenha desabado.

Confesso que acho estas coisas estranhas. Que eu não concorde com um ou outro post, com uma ou outra posição ou análise política do autor, não impede que não aprecie e sinta gratidão pela imensidão de histórias e casos com que nos brinda no blog quase todos os dias e que nos dão uma riquíssima panorâmica de acontecimentos da nossa história colectiva recente. Nacional e internacional. Mas há gente que não pensa assim. Ou que não sente assim. Provavelmente o tipo que escreveu o comentário acha que o homem tem obrigação de escrever da forma que ele quer ou acha correcta. De ser um criado ao nosso serviço a quem a gente descompõe se não traz a baixela polida ao nosso jeito.

A foto de Oslo em Setembro, foi tirada também a pensar nestas coisas. Do autor tenho lido algumas histórias deliciosas da sua passagem por Oslo como embaixador. Dei em olhar o café da marina ali em Filipstad, e em imaginar se desceria ali (serão vinte minutos a pé desde a embaixada) para gozar o sol e a companhia de gente que não anda permanentemente eriçada de paus e puas com o próximo.

Porque isto, parece-me, o glamour da vida diplomática deve ter uma outra faceta menos glamourosa. Deve haver momentos na vida de um embaixador (tendo ele dois dedos de testa) em que fatalmente o representante sente (justificada) vergonha do povo representado.

A nossa tipíca falta de gratidão (visível aí pelas caixas de comentários com ofensas gratuitas ou reprimendas) e o nosso incivisme de Mezzogiorno devem ser um espinho doloroso para quem tem a missão de dar a melhor imagem do país em embaixadas por esse mundo fora.

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
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2 respostas a The crossing

  1. soliplass diz:

    Agradecidos nós por cá por tantos e tão bons dos seus

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