O âncoras solidário

 

En av oss

Quando Breivik em 22 de Julho de 2011 abalou a sociedade do seu país com o ataque ao quarteirão governamental em Oslo e com a chacina do acampamento da juventude trabalhista na ilha  Utøya, apesar de estar em Oslo e de ter acompanhado de perto os acontecimento preferi não tocar no assunto do indivíduo. Não fosse também, com algum post mais agudo e informado (dado o meu conhecimento do país, sua política e cultura) fazer sombra à multidão de especialistas que na blogosfera portuguesa imediatamente se revelaram. Deixei sim, aí para trás um post onde se louva o gigantesco movimento de solidariedade que de forma expontânea se levantou em Oslo e no resto do país.

Não que o assunto do indivíduo não me interessasse. Foi com muito interesse que acabei por ler dois ou três anos depois este Um de nós, da aclamada jornalista Åsne Seierstad, também autora d’O Livreiro de Cabul, onde se procura explicar as razões e as histórias pessoais não só do tresloucado Breivik, mas dos seus familiares, bem como de algumas das vítimas e respectivas famílias. Passagem pungente é, já no final do livro, a descrição do internamento da mãe do assassino no Radiumhospitalet em Oslo, no inverno a seguir à prisão do filho. Wenche Behring Breivik descobriu que tinha cancro, e que a doença se espalhava rapidamente afectando os órgãos vitais. Seierstad descreve-lhe o quarto em tons de cinzento, a que se junta o cinzento das paredes e telhados dos edifícios contíguos. E relembra as palavras que tinha dito à polícia imediatamente a seguir à prisão do filho; esta frase que podem ver da página do livro, Jeg er Norges ulykkelisgste mor – : sou a mãe mais infeliz da Noruega.

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Sabendo ontem, através de Um Jeito Manso, de um político tresloucado português que com um míssil portentoso (ainda que em foto) atacou o jornalismo americano, lembrei-me desta página; e da frase que ficou na memória…

É frequente, quando dou com estas tragédias, sentir-me incapaz de saltar a terreiro e condenar de forma veemente o agressor. Talvez por ser compreensivo e misericordioso com a trágica miséria humana; talvez por ter sido, eu próprio, contaminado por estes valores de solidariedade e tentativa de compreensão do outro. Cumpre apenas, daqui do Âncoras, a solidariedade com a mãe do infeliz nesta hora triste.

Sobre soliplass

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