Cão-guia

Hoje cedo ao abrir o Aftenposten

vejo a notícia – a polícia avisa para o perigo das estradas geladas e escorrregadias. Neste tempo, em condições destas, é sempre um pandemónio com centenas de acidentes.

Mas há outra condução que deve ser particularmente difícil. A do cão-guia de cego. Vi ontem um, aqui em Oslo, perto do belo café Broker, guiando a dona pelo passeio da Bogstadvein acima. Um labrador creme. A mulher, atarracada e com traços de mongolóide – ou assim me pareceu apesar dos abrigos e da neve na cara-, deficiência bem frequente aqui, idade indefinida, que diria entre os quarenta e cinquenta.

Impossível não admirar a perícia do animal que cuidadoso ia voltando constantemente a cabeça coberta de neve na direcção da dona, vigiando-lhe o andar e equilíbrio. Escolhendo-lhe, no passeio, o passo seguro. Se é que em dias destes algum há fora de casa.

Sobre soliplass

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3 respostas a Cão-guia

  1. Tenho uma lista privadíssima de pré-publicação da crónica. Posso passar a publicar em norueguês?

  2. Outra coisa: tenho um dístico poético composto há coisa de uma década. Este aqui: “O amor é cego. / A memória é o cão do cego.”

  3. soliplass diz:

    Estou de turno e no meio do mar, assim que tiver um algum tempo disponível já lhe respondo por e-mail. Bom dístico.

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