Homens, temos que falar

O título da crónica de F. Cândido, lembra-me um episódio caricato passado no Bairro Alto, uma vez que me vi na obrigação de falar com um mancebo a respeito de uma espécie de violência feminina. Porque o armar de cachaporra de três em pipa, muitas vezes é causado por mulheres confiadas que não arriscam o pêlo se a coisa der para o torto. Não será por esse lado que este post traz novidades.

Não fui,  a partir de certa altura na vida, de frequentar noites, discotecas, ajuntamentos em local de diversão. Vi, em várias ocasiões e sítios, demasiadas coisas a correr mal, crueldade e indiferença condensada. Talvez azar meu…

A meio dos noventa do badalado Bairro Alto tinha visto népia. A passar uns dias de férias com os meus pais na praia da Consolação, dado a pasmaceira do sítio, decidi, finalmente, pegar no carro e ir visitar a noite do afamado bairro. Por azar meu, à porta de uma chafarica qualquer  e às tantas da noite, estavam duas cavalheiras de vestido preto longo, com uns copos na mão beberricando encostadas a um carro. Escoltadas de um rapaz frágil. Não sei que rua era, nunca mais voltei ao Bairro Alto, foi visita de cerca de meia-hora. E até hoje.

Talvez porque tenho um ar campónio, talvez porque não levei roupa que agradasse às senhoras cavalheiras certamente, detesto pretos e sintéticos, merdas brilhantes, coisa que sempre me dá a impressão de pouca higiene (a mental ainda antes das de outro tipo), ao voltar para trás na rua, sem que tivesse dirigido aos convivas palavra ou olhar, diz uma desdenhosa em voz alta: «Olha,… o rapaz não sabe!», e a outra, «perdeu-se… longe da aldeia». Irado, voltei para trás, fui direito ao rapaz fininho e cravei-lhe as tenazes num braço. «Anda cá pá!». De olhos arregalados e sem fincar pé, o tipo veio que nem rês por arganel, elas caladas. Uns passos mais abaixo, já longe dos ouvidos das cavalheiras: «não tenhas medo que só te vou dizer aqui uma coisa ou duas de homem pra homem e para teu bem.»

Já solto, tranquilizei-o novamente, fala mansa, também para que elas não ouvissem, que não estava por mal nem para armar barulho…

«Ouve lá pá, elas têem razão, eu sou de uma aldeia é a primeira vez que venho aqui, mas também sou marinheiro e tenho visto muita merda aí pelo mundo fora. Tu não estragues a noitada nem fiques a pensar no que eu te digo agora, acaba a noite, dá três ou quatro fodas numa, ou nas duas, mas quando chegares a casa pensa no que eu te digo. Pensa, e depois faz como quiseres. Tu é que sabes da tua vida. Vê lá se companhia daquela te serve! Porque isto é assim, quando elas me disseram aquilo sem me conhecerem de lado nenhum nem eu ter implicado com elas, a minha vontade foi dar-lhe uma resposta das boas ou um par de galhetas na tromba. Só não aconteceu para não te deixar mal visto.»

«Isto é uma merda pá. Armam barulho e depois um gajo que é homem é que fica com a obrigação de as defender. Nos cornos do boi. E a gente quanto mais homens somos, mais parvos, sabes bem que é assim. Se eu tivesse espetado um estalo numa tu não ias brigar comigo porque não tens arcaboiço pra te aguentares à bronca. Mas se é um gajo mais pequeno ou mais fraco, se calhar experimentavas. O pior é que tu nunca sabes o que é que um gajo qualquer, por mais fraco que pareça, engoliu ou fumou, nem o que é que ele traz à cintura debaixo do casaco. E isto nestas coisas a malta sabe como é que elas começam mas nunca ninguém sabe como é que elas acabam. Às tantas tás com uma naifada nas tripas, se não for em sítio pior, e elas vão pra casa curtir a bebedeira e no outro dia estão frescas.» «Tou a ser teu amigo ou não?» «Tenho razão ou não?»

Disse que tinha, quando lhe pedi desculpa por o ter arrastado, não há problema, meio envergonhado. Se pensou no assunto ou não não sei. Se calhar pensou, elas viram-no pela rua abaixo como rês para o matadouro, a princípio com pouco jeito, nenhuma tugiu nem mugiu, ou mudou de sítio. Se bem conheço o mundo, no caso de o acompanhante ter levado ali uns carcanhos na pinha para elas tinha sido só mais um espectáculo. Os homens que são uns brutos.

Sobre soliplass

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Uma resposta a Homens, temos que falar

  1. insisto nisto:o que existe são pessoas, já dificilmente distingo géneros, nos comportamentos, atitudes,estupidez, inteligência, e ainda bem.Sinto-me melhor , até comigo, ou principalmente comigo 🙂

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