Forquilhas por boas-vindas

 

Man and woman with stern expession stand side-by-side. The man holds a pitch fork and wears glasses.

O meu avô materno, homem sensível e púdico, de quem se acreditaria terem-lhe aparecido em casa quatro filhas por encomenda postal, ao pedido do veterinário de o ajudar a amparar o bezerro nascituro, para não ter as mãos em contacto com aquele ser pegajoso, pegou numa forquilha de ferro. E com ela por  berço berço se preparava para lhe dar as boas-vindas ao mundo. Até que o veterinário escandalizado o mandou sumir-se dali e chamar antes a mulher.

Bibliófilo e bibliómano, que me lembre, fui uma vez à feira do livro. Mais uma passou sem que lá pusesse os calcanhos. Queimado do sol, musculado, os braços arranhados, aquela gente dos livros, grave, pálida e de ombros estreitinhos, se pudesse, recebia-me também com uma forquilha. Como aquele caso de Ana Gomes trazendo ao congresso o tema da corrupção há coisas, e seres, que simplesmente não são bem-vindos.

Umas vezes a coisa diverte. Outras, simplesmente, chateia. Valem-me livrarias e afarrabistas no norte da Europa onde sou cliente grato e o tratamento é amistoso. E não é preciso ir com o fato (ou linguagem) do Domingo.

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
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