Puta de vidinha triste

Dia de viagem, na estação da Ribeira de Santarém, tomo um café. O telefone esperto dá sinal de rede, o ponto de interrogação se quero ligar a uma rede disponível. Passo a lista… a primeira rede, intitulada “KeresWifiFazComoEu”. Imagino a puta de vidinha triste do bicho intitulante.

Há cerca de um ano em Oslo um dos directores da companhia de navegação onde trabalho oferecia-me um Tag Heuer que, dizem os colegas, custa cerca de dois mil euros. Agradecendo a minha fidelidade por vinte e cinco anos de serviço. Não lho pude dizer, com receio de ofender os colegas portugueses presentes, mas murmurei cá cos botões, quem te deveria pagar por cá ter servido era eu. Pelo exílio permitido e pago. Da portuguesa puta de vidinha triste.

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8 respostas a Puta de vidinha triste

  1. hmbf diz:

    Amigo, isso ao pé dos nomes das operações da PJ não é nada. Retrato do país em panorâmica: “Guns’n’Roses”, “Paella”, “Irmãos Metralha”, “Questor”, “Tupperware”, “Operação Azul Vivo”, “Operação Pontas Soltas”, ”Mala Ciao”, “Operação Cavaleiro”, “Face Oculta” (que é também o nome de um bar de alterne, nada é por acaso), etc., etc., etc…..

  2. soliplass diz:

    E o nome do arquivo onde vão repousar depois as operações deve ser Muita Parra e Pouca Uva

  3. Leitor diz:

    Ou ficheiro entradas de leão saídas de sendeiro…

  4. hmbf diz:

    Diria antes: muita pasta e pouca uva.

  5. soliplass diz:

    mas compreendamos os homens da j’dite: talvez o imaginativo e quase literário dos títulos seja uma forma de compensar a priori a frustração de (mesmo com prova e condenação) ver Varas de recurso em recurso, Dias Loureiros ilibados, Isaltinos reeleitos. Aquilo é trabalho de sísífo; onde um Salgado secumbe logo um Frasquilho prospera, onde um Sócrates tropeça logo um Portas se alevanta…

  6. não são necessárias empresas norueguesas/etc.:

    eu tenho um Gucci, um Raymond Weil, colares de ouro de design contemporâneo, só me faltou a presença do marido…

    __________
    p.s. – o que faz falta é 🙂

    _________
    p.p.s. – não uso nada, obviamente.

    ________
    p.p.p.s. – wondering if he’s a norwegian, stupid me 😛

  7. soliplass diz:

    Claro que não são. Há aqui esta tradição, coisa que muito excitados trouxe os meus colegas que discutiam o preço do prémio simbólico. Assim soube o valor daquilo, que nem sei se é o certo. Por mim (que até uso roupa usada comprada em lojas alemãs) dispenso enfeites. E como prémio do empregador bastava-me que o lugar de trabalho fica perto de bons alfarrabistas quando em porto, o cheiro do mar quando em navegação.

    De facto desprezo joalharia. Se nas senhoras (por tradição) é aceitável nos homens acho coisa desprezivel. Por questões estéticas; não se compreende pra que é preciso aquilo quando se podem ter peitorais ou deltóides bem definidos, um homem com correntes e anéis, fiozinhos e pendricalhos, fica sempre a pender pró apaneleirado. E por questões éticas, coisa que, Ruben Dario no La Cancion del Oro (https://ancorasenefelibatas.net/2014/04/05/la-cancion-del-oro/) explicou melhor do que eu. No geral, quando se ostenta coisas de grande valor, coisa que a joalharia consegue (concentrar um valor alto num objecto pequeno) cai-se no abjecto. Damos ao nosso corpo a função de mostruário de um historial de crime e crueldade. Não é isso o ouro?

  8. sim, é isso o ouro, quando nos deixamos usar por ele e não somos nós a usá-lo 🙂

    o mesmo com a roupa, os veículos, etc.

    abraço e manda daí o cheiro do mar 🙂

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