Ler os outros

N’ Um Jeito Manso sobre o que está a passar-se em Borba:

 

Este post hoje tem um único propósito: louvar, mas louvar de mãos postas, agradecida, os mergulhadores da pedreira abandonada de Borba. 
Esses bravos homens mergulham naquele poço profundo, barrento, totalmente opaco, esbarram, às cegas, contra vultos, volumes, coisas que não sabem se são bocados da estrada que lá se despenhou, se são pedras, se são carros, se são os corpos desaparecidos. Arriscando a sua própria vida, provavelmente vencendo o medo, ali andam, nadando sabe-se lá como naquele caldo de lama tentando conseguir o que parece impossível.
Quem se lembra de dar a conhecer estes corajosos homens? Quem se lembra de lhes agradecer? 
Pois eu, aqui deste meu canto, agradeço-lhes e desejo que nada de mal lhes aconteça. E um dia que este pesadelo tenho esfriado e que voltem à sua vida normal, gostava que sentissem como todos nós os admiramos e como reconhecemos a sua valentia e abnegação. Seria bom que o Professor Marcelo os louvasse pois ainda bem que por cada rebanho de carneiros inúteis há uma ou duas bravas pessoas que se distinguem por fazerem qualquer coisa de útil.”
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Sobre soliplass

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4 respostas a Ler os outros

  1. Grata pela referência, Senhor Agricultor.

    Tenho gostado de saber dos seus trabalhos no campo (tal como gosto quando anda pela floresta; ou por outros lugares).

    Abraço.

  2. soliplass diz:

    Grato eu, por ter escrito o texto a elogiar o esforço e risco daqueles homens.

  3. Já por diversas vezes me insurgi contra quem fala mal dos militares por tudo & por nada, esuecendo, muita gente, que os mlitares não se limitam a carregar armas e disparar contra tudo o que mexe. Na Marinha, por exemplo, os mergulhadores são excelentes profissionais, invariavelmente em risco de vida, mergulhando em condições de extremo perigo (mais um, este caso) ou tendo que resgatar corpos em putrfacção, devolvendo-os às famílias, que deles precisam para iniciar os seus lutos. Só conheci um, vivendo ainda na Margem Sul, ainda muito jovem, e quantas histórias escutei…

    Tudo isto me tem lembrado – e suponho que a muita gente – o que acontceu na ponte Hintz Ribeiro, onde, apesar da dimensão gigantesca do sucedido, as hierarquias souberam acautelar os seus mergulhadores, que resgatar um morto, por importante que seja (e é), não poderá jamais colocar em extremo risco (mas correm-no) os vivos.

    Os militares, alguns, juntamente com as hierarquias (e recordo-me muito bem do porta-voz, no caso da ponte), conseguem manter níveis de disciplina, decência, compaixão, apaziguando a histeria dos circundantes/mirones, a dor dos que esperam um corpo irreconhecível, mas amado.

  4. soliplass diz:

    Falar mal é fácil, dá sempre a impressão que somos melhores. E barato, não se arrisca a pele. Tens toda a razão. No caso dos bombeiros então a coisa é escandalosa. Eu, que no treino de bombeiro que tenho que ter por profissão me tenho visto em compartimentos com incêndios simulados e com temperaturas acima dos quatrocentos graus no ar junto ao tecto, rogo aos santinhos todos que um dia aquilo não tenha que ser a sério.

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