Pureza e impureza

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Dia de viagem. Escolho para leitura de avião este Jern & Metal (Ferro & Metal) de Levi Henriksen. Colectânea de contos de um escritor que se tem vindo a consagrar na Noruega e que faz cenário da sua ficção uma àrea junto à fronteira sueca em zona florestal de população esparsa. E que escreve usando uma linguagem que reflecte os dialectos locais. Uma linguagem “impura”, diríamos nós por cá…

Houve tempo que isso me irritava. Em parte porque não compreendia os termos e tinha que ir por eles aos diccionários ou à net. Em parte pelo vício português da correcção extrema da grafia e da sintaxe. Hoje aprecio essa variedade. A sonoridade. E o melhor transpôr da forma como se fala para a escrita.

Um dia destes quando me pediram para traduzir partes da peça de Jon Foss  tive vontade de a traduzir em… açoreano de aldeia piscatória. Cada vez mais me irrita ver na ficção portuguesa um bate-chapas de Fornos de Algodres ou  a senhora da mercearia da Gafanha da Nazaré a dialogar em linguagem dos lentes de Coimbra. A obcessão pela pureza resulta em fantochada sem pés nem cabeça. E sem sabor.

Sobre soliplass

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