A análise e explicação política (ab Sodoma et Gomorrha) pelas províncias

Era a meio de uma manhã nos tempos pré-históricos em que Ferreira Fernandes ainda defendia Sócrates; entrei no café, cumprimentos da praxe, o convite:

«é pá assenta-t’aqui a buêr um café c’a malta»

A destoar dos outros do «deixa cá ver as gordas aqui do Correio da Manhã», ainda há um que passa pelo quiosque a cinco quilómetros dali e compra (ou comprava) o Diário de Notícias. E às tantas diz:

«É pá porra, qu’este Ferreira Fernandes tá sempre a defender o Sócrates. S’inda fosse esta que tamêm práqui escreve do nariz comprido, esta Fernanda Câncio a defendê-lo, nim eu m’admirava,… que dizem prá’í qu’ele que tranca a garrocha nela que é com’in cabra velha… e faz ele bem! qu’se foss’ eu fazia o mesmo qu’ela é bem boa a puta!»

Diz o do lado repentino e sentencioso, quase indignado por do óbvio se fazer mistério:

«Atão pronto! E a esse aí, se bên calha foi-lhe ó cu tamêm. Qu’ele a modos qu’é barrasco e aquilo lá pra L’sboa anda tudo tonto! In um gajo passando ali de Vila Franca pra baixo,… mê amigo! Nã se perdoa nin a são nin a doente, nin a mulher parida de três dias!»

Risota. Galhofa armada. A do café já brada aos céus (mas a gostar de ouvir, e a pilhéria é também boa para o negócio):

«Ai deus noss’nhôr me valha e nossa s’nhôra m’acuda! S’isto nã há mais brutos no mundo que gente!»

Sobre soliplass

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4 respostas a A análise e explicação política (ab Sodoma et Gomorrha) pelas províncias

  1. “Tranca a garrocha”, passarei o dia à procura de um contexto para usar esta expressão. Macacos me mordam se não vou arranjar um…

  2. Carlos Natálio diz:

    feito :O

  3. soliplass diz:

    Trancar a garrocha é expressão comum para designar a penetração, o coito. Noutra acepcção, o picar de mosquitos ou moscardos. Não sei se anologia com a vara de picar touros. Creio que designava também uma espada curta com que se toureava a pé, com que se matava o touro.

    Se não estou em erro, é no romance “A Mão Esquerda de Deus” de Pedro Almeida Vieira que aparece descrita uma forma de tourear primitiva (sec. XVI?) em que se mata o touro com essa espada curta, a garrocha.

    Do rol de expressões típicas dali usava-se uma outra engraçada quando os rapazes começavam a namorar; os velhos, por amofinação e por “tirar nabos da púcara” tentavam saber em que fase de adiantamento iam as coisas com a rapariga. Uma das perguntas típicas era se já lhe tinham mexido no bico da “amentlia”. Sendo “amentlia” a corruptela de almotolia. O “bico da amentlia” era uma das designações do clitóris.

    E depois havia os finalmentes… «Atão ouve lá r’pá (rapaz), e tu já lhe foste capaz trancar a garrocha? Ou ela inda nã deixa?”

  4. Bico da amentlia? Outra expressão para o meu sótão mental. Nas minhas visitas ao Norte fiquei com duas expressões mas que não têm esse requinte, são só assim ordinarotas: a torneira de pêlos e a pistola de carne.

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