Neste Natal,

Se quer prevenir o uso desnecessário de dinheiro em bilhetes de circo para divertimento das crianças, isto é uma boa alternativa.

De igual forma, se gosta de oferecer clássicos aos mais novos e para enquadrar melhor as artes destes artistas, pode imprimir textos clássicos aqui da bloga. Os clássicos, ensinou-nos Italo Calvino (versão espanhola aqui) no primeiro capítulo, o das formosas propostas de definição, não nos ensinam necessariamente algo que não sabíamos; às vezes descobrimos neles algo que já sabíamos de antemão… Aconselharia este (de 11 de Dezembro de 2007) , do velho e saudoso e bom Jansenista (que, sugerindo a visita à página original, transcrevo):

A anedota do liberalismo português:

 

“Anda por aí uma crispação qualquer nos blogues em torno do tema: “espelho meu, haverá mais liberal do que eu?“.
Trata-se de um equívoco: o liberalismo a que se faz referência é planta importada, que tende a murchar e a transformar-se noutras coisas por estas paragens.
As pessoas que eu conheço e que por cá genuinamente prezam a liberdade politica não são liberais: são defensores tenazes do «underdog», seja ele qual for em cada momento, e não perdem tempo em alinhamentos clubísticos e em indagações de «pedigree» – e muito menos se afadigam em esforços de «pertença», de inclusão no número dos «insiders».
As pessoas que eu conheço e que se reclamam «liberais» tendem a desprezar soberanamente a liberdade política: são em geral obedientes seguidores de uma cartilha pseudo-aristocrática, bebida em postais a sépia de uma Inglaterra vitoriana que só existe para exportação. São avatares do Prof. Espada, predispostos a fazerem de jovens turcos apenas enquanto as benesses não chegam. Acham (dizem que acham) que Oxford é o centro do mundo, gostam de citar nomes e autoridades para deixarem subentendido que pertencem à «old-boy network» (outra ilusão classista muito eficientemente exportada), e são capazes de jurar que o mundo é uma questão de «captura de renda» («rent-seeking») e de «escolha pública» («public choice»), dois «santos e senha» para o ingresso no «número» dos «bem-pensantes». Os mais cultos já ouviram falar, e veneram sem ter lido, as ideias «atlânticas» de J.G.A. Pocock (quando envelhecem convertem-se em «politólogos» florentinos).
Zangam-se como só os «parvenus» conseguem zangar-se – por puras questões de contagem de plumas. No resto são dóceis, dão férreos gestores de recursos humanos (o «upgrade» do velho capataz) e anafados pais de família (o «downgrade» do misógino «clubman»). A partir dos trinta anos, quando se acabam as bolsas de estudo e as ilusões do proselitismo «british», os mais inadaptados vão destilar as suas frustrações em servilismos partidários ou em mercenarismos jornalísticos. A partir dos quarenta, a mulher e os filhos amarram-nos ao burgo, deixa de haver dinheiro para tanto botão de punho e camisa listrada, e o médico proíbe a compota de laranja amarga.
A partir daí reconciliam-se com tudo, começando pelo país real em que vivem; percebem que o «liberalismo» é uma doença adolescente, o sonho com um país quimérico que só sobrevive em visitas guiadas àquela pequena fracção de Oxford que não trabalha e que finge que pode dar-se ao luxo de perfilhar a velha moral aristocrática que tomava o trabalho, e a miséria alheia, e a falta de liberdade dos outros (dos «underdogs»), como uma grande maçada, como uma abominação.”

.

Sobre soliplass

email: friluftogvind@gmail.com
Esta entrada foi publicada em Uncategorized com as etiquetas , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s