Elogios de divulgação, ou dois coelhos de uma cajadada

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A foto ficou por aqui esquecida. Um dia qualquer de Outubro do ano passado, chuvoso. Numa caixa de madeira de em alfarrabista em Oslo, este Las Venas. Batido, sujo, com manchas de bolor. A livreira não quis dinheiro por ele, que ninguém por ali lê espanhol…

E ao mesmo tempo o objecto é comovente, porque já uma quadragésima edição; de 1985. Em 14 anos desde a sua publicação original em 71, o livro tinha suscitado um enorme interesse. Testemunha, tanta edição em tão pouco tempo, a enorme aceitação do público. Ao mesmo tempo, olhando-o ali na mesa da esplanada em Oslo a fazer horas para ir tomar o avião de regresso a Lisboa, suscitava um sorriso.

Desgostoso de se ler ou falar ou elogiar tão pouco Galeano em Portugal, em 2011 em visita a Buenos Aires, entrando na El Ateneo, lembrei-me de súbito que conhecia o gajo perfeito para divulgar o livro entre nós. E de lá o trouxe. Um verdadeiro “cosmopolita” no sentido que lhe dá Sontag no post abaixo. Mas acima de tudo, um tipo de escritor e de pessoa da parte de quem o elogio não desagradaria (ou envergonharia) a Galeano. Dois coelhos de uma cajadada, portanto.

Sorri ali a olhar o livro a lembrar-me disto, este belíssimo post de divulgação. E da amizade deste admirável barbudo, uma das coisas mais gratas que este blog me trouxe.

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Sobre soliplass

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3 respostas a Elogios de divulgação, ou dois coelhos de uma cajadada

  1. hmbf diz:

    Amigo, acabei de chegar de umas férias pelo interior. Alpalhão, Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Beirã… Andei à cata de menires e antas (foram mais as antes que encontrei do que os menires). Valeu pelas listas limpas, o ar puro, boa comida e bebida melhor, muita ovelha a pasat, cabrinhas e vacas, passarinhos, dias de um sol que arrepia e gelo que conforta. Falei de ti uma vez à mesa, por causa do machado. Fazem-me falta esses exercícios do corpo. Agora chegado, a espreitar os do costume como velha à janela, dou com este teu elogio. Ficar-te-ei eternamente grato pelo livro-galeano, mas muito mais pelo desafio para um duelo. Desejo-te bom ano novo. Forte abraço,

  2. soliplass diz:

    Fizeste bem que são sítios formosos. E com esta luz de inverno, dias claros e limpídos, melhor ainda.
    Dei comigo a pensar naquele dia ao ver o alfarrábio ali na mesa que serias precisamente o tipo de indivíduo por quem tanto o Galeano como o Walsh, mas também o Hauge ou o Børli, gostariam de ter sido elogiados.
    Pelo menos apareceu aí um a convidar-te para duelo e lavagem de honra com arma branca. Ao contrário daquele rapaz vazpinto que só te ataca com madrigais.

    Bom ano compadre, e um abraço,

  3. hmbf diz:

    Ah, mas esse diz na autobiografia oficial que “escreve com machado”. Coitado do Poe, que se ficou pela pena. E coitado de mim, que não passo das BIC. Saúde,

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