Sociabilidade e má-consciência

Familiar directa convida-me para ir passar a noite de Natal com a família, que não a passe sozinho. Entre Cila e Cararíbdis, recuso, tento explicar.

Cada vez mais me custa conviver e ouvir gente que é, ou que considero, pouco mais que analfabeta. Que não lê, que conhece pouco mundo; pouca História e poucas histórias. Depois sinto-me duplamente mal; com má consciência de avaliar assim os outros. Roça a sobranceria, de alguma forma a injustiça e a crueldade. Na maior parte dos casos, nas suas vidas (dado o sítio onde nasceram e viveram), não tiveram nem a oportunidade nem o incentivo de aprender mais. Ou melhor.

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12 respostas a Sociabilidade e má-consciência

  1. fizeste aqui uma espécie de redenção: honesta e bela, comme il faut, sem floreados (que não são o teu género, pelo que leio de ti).

    verdadeira, de resto, como a compreendo!

    🙂

  2. redonda diz:

    Quando estou para baixo, o que não é de todo o que é contado aqui, sinto-me mais só junto de pessoas que não conheço ou não conheço bem e se estivesse assim acho que preferiria passar a noite de Natal sozinha.
    Um Bom Ano – com muitos momentos com pessoas próximas que leiam livros, conheçam o mundo, muita História e muitas histórias!

  3. Percebo-o muito bem. Por vezes, a ausência de literacia cansa e a solidão parece ser companhia preferível. Outras vezes, quando temos disponibilidade para ela, pode ser cativante.

    Quando ler este comentário já deve estar longe da terra das oliveiras e das gentes que a habitam e a sua casa, que lavou e limpou, deve estar fechada à espera de uma próxima visita.

    Desejo que estas suas andanças lhe tragam sempre prazer e que por aqui o vamos acompanhando ao longo deste Ano Novo. Saúde, alegria e força, amigo Soliplass,

  4. soliplass diz:

    Provavelmente um bom exemplo de um post que não deveria ter sido publicado…
    Bom ano,

  5. Luis Jorge diz:

    Sinto o mesmo. Mas como não ando a limpar oliveiras nem a conduzir tractores sofro de uma má-consciência ainda mais aguçada quando rejeito a companhia de brutos, pois nem a desculpa tenho de poder dizer que o homenageio o seu estilo de vida com algum trabalho manual. Para me desforrar maltrato os gebos da bola e os bertoldos das tunas e do tuning, que são tão urbanos como eu. Assim se estabelece um equilíbrio cósmico. Aliás, fizeste-me lembrar isto, perdoa a auto-citação:
    https://vidabreve.wordpress.com/2012/05/01/eles-comem-tudo/

  6. tenho a declarar, do alto dos meus quase 1,70, que este post foi dos melhores que já aqui li e até mesmo em destaque, para mim, de toda a bloga, desde o momento em nela entrei, primeiro espreitando pelas fechaduras, depois abrindo um negócio de implosão no imobiliário, até me ter fixado na hospedaria 🙂

    nada como a porra da honestidade, que de hipócritas está o mundinho cheio.

    abraço amigo,
    alexandra

  7. p.s. – um agradecimento & longa vida ao Luís Jorge, pois foi através do Vida Breve que comecei a ler-te.

  8. soliplass diz:

    Lembro-me bem desse texto Luís. Um retrato genial da nossa bernardaria gestororiante.
    O meu melhor amigo costuma dizer que isto no mundo há-de haver boa gente, gente interessante. Mas que na vida, como numa grande cidade onde uns se deslocam de metro e outros de autocarro, não se encontrando, é difícil encontrá-los. A tua Vida Breve era um modo certo de encontrar boa gente. Boa e interessante gente à distância de um clik.

  9. soliplass diz:

    Pois é Alexandra, mas a honestidade em demasia, se não for temperada com um pouco dessa homenagem que o vício presta à virtude (hipocrisicoisa) só nos traz inimigos. Vale-me aqui que nenhum dos meus familiares próximos (à excepção da minha mulher), e pouquíssimos dos meus conhecidos, sabem da existência do âncoras.

  10. Só é inimigo quem deixarmos que o seja, que se trata de estatuto mui forte, ao alcance de poucos: quem se arrogou em meu inimigo/falso amigo, começou há cerca de ano e meio, talvez dois anos, a ser profusamente ignorado, que não estou para delongas e tenho cicatrizes q.b., anunciadas pelas costas.

    Também eu escolhi criteriosamente quem leria a hospedaria: as minhas filhas, para que conhecessem a mãe por outro prisma, a forma como se relaciona, em palavras feitas, com outras gentes. Parece-me lógica, a tua, a minha escolha, a de tanta gente (conheço mais situações afins): quem já priva – adultos feitos – connosco, no quotidiano, e não nos ‘viu’, ou é cego, ou não quer saber, ou não chega ‘acá’ 🙂

    Daí escolheres, eu escolher, de entre tanta gente que nos rodeia, ‘lá fora’, com quem partilhar o blogue: quem mais nos ama/amamos, ainda que por vezes seja necessário providenciar detalhes, abrir caminho à compreensão.

    _____________
    (sorry if i’m boring, but that’s it)

  11. cristina diz:

    há uma coisa que se chama bondade e ou se tem ou não se tem; a bondade não requisita literacia…

  12. soliplass diz:

    Tem toda a razão. Literacia sem bondade, por outro lado, tende a ser repugnante

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