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Raquel Varela, Contas incertas:

“Tenho lido estas notícias recorrentes “cada português dá para a banca x por mês”. Não. Não é cada português. São os portugueses que vivem do trabalho e que pagam impostos. Isto porque há parte dos portugueses – 47% de pobres – que não pode dar nada, por mais que desejasse salvar os capitais de banqueiros em apuros. E há uma parte dos portugueses que não dá – recebe: banqueiros, alguns empresários, investidores (na divida pública ou em imobiliário onde colocam capitais parados), accionistas de PPPs, membros de conselhos de administrações que recebem dividendos, etc. São os assalariados que têm pago esta factura – o que dá muito mais do que 15 euros por mês. Dá na realidade quebras reais de rendimentos na ordem de pelo menos 25% a 40% ( se contabilizarmos salário directo, indirecto, e relativo).

Não são 10 milhões a pagar. Alguns milhares – contando com as famílias – não andam “há dez anos a pagar”. Andam há dez anos a receber.”

Pedro Arroja, Os melhores do mundo:

“No comunicado do próprio TEDH a anunciar a condenação do Estado português por violação do artigo 2º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem escreve-se textualmente:

“The Court found in particular that the criminal investigation had not satisfied the requirements of Article 2 of the Convention. It noted that a number of urgent measures could have been ordered in the immediate aftermath of the tragedy” (cf. aqui).

A razão da condenação é, portanto, a de que a investigação criminal foi mal feita, enformando de vários vícios e defeitos e o TEDH atribui culpas directas ao Ministério Público, que dirigiu a investigação.

Deviam ser, portanto, os magistrados do Ministério Público que conduziram a investigação a pagar a indemnização aos pais das vítimas fixada pelo TEDH (cerca de 13 mil euros), e não os contribuintes portugueses.

Mas, como se sabe, os magistrados do Ministério Público fazem parte de uma casta que não responde pelos erros que comete, ao contrário de qualquer outro profissional (médico, contabilista, motorista de autocarro, etc.).

Mas, há mais. Na altura, os pais dos adolescentes mortos protestaram precisamente por a investigação criminal ter sido mal feita, um protesto a que o TEDH veio hoje dar razão.

E o que lhes fez o magistrado do Ministério Público que aparentemente conduziu a investigação?

Pôs-lhes um processo por difamação (cf. aqui).”

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