Câmara de descompressão de um navio moderno

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Comparando navios a prisões teria dito o velho dr. Johnson (disso se recordava James Boswell) que nestas se encontraria mais espaço, melhor comida, e, por norma, melhor companhia. Com correr dos anos, em questões de alimentação e espaço disponível , as coisas melhoraram consideravelmente.

Quinze decks abaixo das estrelas, dois do nível do mar ao largo da Dinamarca, ouvindo Bach e Albinoni, ontem, pelas três da manhã. A minha câmara de descompressão.

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De mestre

Manifestamente um exagero, as notícias da morte da blogosfera nos jornais. Se por mais não fora, porque teríamos de andar a catar artigos de jornal meses e meses para encontrar um artigo tão informativo quanto este:

Transforma-te num comentador da questão síria em cinco simples passos. Deliciosa ironia. De mestre.

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Casas de quatro patas

 

a de Sverresborg, Trondheim,

e esta espectacular construção  conhecida por Buret på Fagerbakken em Ørjedal, no município de Hattfjelldal, no norte da Noruega. Com data de construção de entre 1775-1800 , tanto poderia servir de habitação sazonal como de de armazém de utensílios ou de víveres – protegendo-os assim da rapacidade de animais selvagens. Um deles, o de sugestivo nome; o glutão.

Fotos: Elin Kristina Jåma (http://www.riksantikvaren.no)

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(bons) panfletos

Há textos que bem poderiam (apesar de escritos numa língua que lhe soe estranha) servir de panfletos turísticos a uma capital. Este é um belíssimo exemplo.

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Édouard Louis

Resultado de imagem para En finir avec Eddy Bellegueule

Sem sucesso procurei esta tarde este livrinho em Charles de Gaule no pouco tempo que a escala em Paris permitiu. Nicles. Népia.

Mas, pelo que li no Guardian, a coisa promete:

“in my childhood, there were no books. My parents have never read a book in their lives; there wasn’t a single book in our house. For us, a book was a kind of assault: it represented a life we would never have, the life of people who pursue an education, who have time to read, who have gone to university and had an easier time of it than us.

As for school itself, that experience had driven my parents out of the education system and denied them access to culture at the age when middle-class children were just beginning their studies. Culture, the education system, books had all given us a feeling of rejection: in return, we rejected them. If culture paid us no attention, we would have our revenge. We despised it. It should never be said that the working classes reject culture, but rather that culture rejects the working classes, who reject it in turn. It should never be said that the working classes are violent, but rather that the working classes suffer from violence on a daily basis, and because of that they reproduce this violence by, for example, voting for the Front National. The domination comes first; those in positions of dominance are always responsible.”

Ou, na entrevista ao Paris Review: The State of the Political Novel: An Interview with Édouard Louis.

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que deus me perdoe – como diria a minha avó

 

 

leio no Duas ou três coisas:

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“Nas suas “Memórias Anotadas”, editadas postumamente na passada semana, José Medeiros Ferreira descreve assim a sua relação com o mundo da blogosfera:

(…) Trata-se de um exercício quotidiano sobre temas impessoais, as mais das vezes políticos. São oito anos de atividade constante cuja instantaneidade de publicação cria um sentimento raro do poder do autor enquanto editor universal. Essa nova forma de “edição de autor” é uma das razões do sucesso da blogosfera em que participo pelo mero prazer de comunicar o que penso sobre vários assuntos. Tenho a felicidade de me saber apreciado por espíritos estimáveis e atentos.
Bem dito!”
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No início de Setembro de 2010 Escrevia o mesmo Medeiros Ferreira em página (já não disponível) do Correio da Manhã:
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«Cavaco Silva fez esta semana um movimento de mestre: veio pressionar as moedas de troca, boas ou más, que constituem uma maioria na AR, a dotar o Estado de um orçamento aceitável no exterior, e adequado ao curto prazo no interior. Forçou assim a mão a Passos Coelho, que saltitava de comício em comício anunciando a crise orçamental em cima das presidenciais. Ora o melhor a partir de agora é o PSD virar a página do Pontal, começar a redigir a declaração de voto de abstenção na generalidade da proposta governamental e reservar-se para a batalha das emendas na especialidade. Sempre acreditei mais na cooperação táctica entre o PR e o Governo do que na cooperação estratégica, que era filha daquele encanto que a fortuna não deixa durar muito. Pois é de cooperação táctica que se trata na questão orçamental para 2011. Por isso ela funcionará. Mesmo que ninguém saiba ao certo quem cederá em termos de filosofia financeira. Mesmo que Cavaco, depois de se ter posicionado como mediador orçamental, admita no seu íntimo que os compromissos necessários para uma campanha triunfal possam requerer um diploma rectificativo para depois da reeleição presidencial. Ele sabe, melhor do que muitos, que a economia política muitas vezes é sobretudo política. Passos Coelho ou aprende depressa ou já não estará cá para a lavagem dos cestos.»
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Nunca consegui apreciar coisas do género da que se transcreve, ou do geral da restante prosa de Medeiros Ferreira; talvez por não ser suficientemente um espírito estimável e atento; talvez por considerar que não há que misturar a arte de pastelaria com a discussão da coisa pública.
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Burocracia à portuguesa

Miguel Szymanski no DN:

“Desde logo, o Estado fala e escreve numa língua que não foi feita para comunicar. A reação de quem abre uma carta das Finanças, de um tribunal ou de uma direção-geral é, após a segunda ou terceira leitura, perguntar: “O que é que estão a querer dizer-me?” É preciso estar no topo da hierarquia para se vencer a linguagem dos burocratas.

Enquanto o Código Civil francês estava a ser escrito, os juristas tinham de ir regularmente ler os novos artigos a Napoleão. Quando Napoleão não entendia o sentido, mandava os juristas reformular os textos e voltar na semana seguinte. O objetivo era que o cidadão percebesse o que o Estado lhe estava a dizer. Na burocracia portuguesa dos regulamentos, dos requerimentos e dos impressos avulso acontece o contrário.

Isto começa com coisas simples. No site do Ministério da Educação, as férias não se chamam férias, são “interrupções das atividades letivas”. Por todo o lado, abundam siglas como CCDRLVT, que convidam a desistir antes de se começar a ler. E antes de se entender uma frase como “por razões de segurança não é permitido permanecer entre o bordo do cais e a faixa longitudinal amarela nele existente”, já o utente caiu nos carris do metro.”

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