Paraíso de um quase-antropofóbico

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De há três anos e tal para cá, quase que deixei de me relacionar com as pessoas que conhecia. No passado ano, tirando a gente que comigo trabalha, dois amigos, os inevitáveis familiares, houve apenas breves encontros com três fantásticos indivíduos (1, 2, 3) aqui dos blogs em quem deposito confiança absoluta e admiração sem limites. De resto, silêncio e anonimato. Releitura de clássicos, descobertas de livros ao acaso, e treino físico diário intenso (quase nazista).

O treino físico diário intenso, leva-me a ingerir quantidades imoderadas de gorduras e proteínas, cabazes de fruta. Hoje, depois de arrumar umas toneladas de lenha para aquecer o inverno da minha mãe, depois das sagradas duas horas de ginásio, depois de um jantar de escandaloso volume, senti a necessidade de quatro cafés e dois Jack Daniels.

Antes da hora de expediente nocturno (aí pelas nove e tal) há no Barvila, um ambiente de bar de país civilizado. Anónimo e sem mirones (isto é, no geral deserto); atendimento (nem que seja à força de gratificação generosa) cortês. Que é mais ou menos a forma de encontrar bar civilizado no luso quadrilátero. Simpatia paga, freguesia escassa.

O éter blogosférico fornece o resto; a melhor das companhias num bar deserto: suave e deliciosa ironia da gaffe (onde arranja ela as expressões como cavalgar a onda de protesto que se ergueu na Nazaré digital ?), a sempre informativa Gazeta , o video de Kagge e o elogio do silêncio (como é que um tipo com opiniões políticas execráveis é uma bênção como editor da Quetzal?) o impagável Herdeiro, blog que deveria ser um orgulho&monumento nacional ainda que nos relembre vergonhas

Enfim, letras&destilados num paraíso de um quase-antropofóbico.

 

 

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Do bom Auden: The Managers

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The Managers

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In the bad old days it was not so bad:

The top of the ladder

Was an amusing place to sit; success

Meant quite a lot – leisure

And huge meals, more palaces filled with more

Objects, books, girls, horses

Than one would ever get round to, and to be

Carried uphill while seeing

Others walk. To rule was a pleasure when

One wrote a death sentence

On the back of the Ace of Spades and played on

With a new deck. Honours

Are not so physical or jolly now,

For the species of Powers

We are used to are not like that. Could one of them

Be said to resemble

The Tragic Hero, The Platonic Saint,

Or would any painter

Portray one rising triumph from a lake

On a dolphin, naked,

Protected by an umbrella of cherubs? Can

They so much as manage

To behave like genuine Caesars when alone

Or drinking with cronies,

To let their hair down and be frank about

The world? It is doubtful.

The last word on how we may live or die

Rests today with such quiet

Men, working too hard in rooms that are too big,

Reducing to figures

What is the matter, what is to be done.

A neat little luncheon

Of sandwiches is brought to each on a tray,

Nourishment they are able

To take with one hand without looking up

From papers a couple

Of secretaries are needed to file,

From problems no smiling

Can dismiss. The typewriters never stop

But whirr like grasshoppers

In the silent siesta heat as, frivolous

Across their discussions

From woods unaltered by our wars and our vows

There drift the scents of flowers

And the songs of birds who will never vote

Or bother to notice

Those distinguishing marks a lover sees

By instinct and policemen

Can be trained to observe. Far into the night

Their windows burn brightly

And, behind their backs bent over some report,

On every quarter,

For ever like a god or a disease

There on earth the reason

In all its aspects why they are tired, and weak,

The inattentive, seeing

Someone to blame. If, to recuperate

They go a-playing, their greatness

Encounters the bow of the chef or the glance

Of the ballet-dancer

Who cannot be ruined by any master’s fall.

To rule must be a calling,

It seems, like surgery or sculpture; the fun

Neither love nor money

But taking necessary risks, the test

Of one’s skill, the question,

If difficult, their own reward. But then

Perhaps one should mention

Also what must be a comfort as they guess

In times like the present

When guesses can prove so fatally wrong,

The fact of belonging

To the very select indeed, to those

For whom, just supposing

They do, there will be places on the last

Plane out of disaster.

No; no one is really sorry for their

Heavy gait and careworn

Look, nor would they thank you if you said you were.

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Do assédio e da virtude

É-me estranha esta questão do assédio. Já bem passado dos cinquenta, contas feitas, não assediei (por inútil) nem me assediaram elas (por bom-gosto). Houve nisso menos virtude que contingências fisiológicas, geográficas e pecuniárias. A minha (santa e mártir) mulher resume assim os meus predicados masculinos:

– É feio, pobre, … e mora longe!

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O Âncoras na vã guarda do proletariado e campesinato: Soliplass de “esquerda a sério” ou atrasado do tempo de Lenine?

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Leio, no Delito de Opinião, este curioso pensamento da semana:

«No tempo de Lenine havia esquerda a sério. Agora a “esquerda” faz compras no supermercado do Corte Inglés, lancha na Versailles e janta no Belcanto. Se a revolução saísse à rua, a “esquerda” corria a casa para salvar as pratas.»

Coisa que me enche de contentamento por me poder contar ainda (imagino eu) de “esquerda a sério”; não tenho pratas que salve, bebo por gamela de pau aguardente braba como a foto comprova, como sobremesa em prato de baquelite (o resto da história aqui), compro fruta em beira de estrada, rins de carneiro e corações de vaca em talhos de província e não faço ideia onde fica a Versailles ou o Belcanto, se bem que, a julgar por amostras, muito se não perderá…

Roam-se de inveja e façam acto de contrição ó impostores de esquerda! A sério só há um, Soliplass e mais nenhum!

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Maravilhas nórdicas: meias de Selbu

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Tal como, as luvas de Selbu, existem as meias de Selbu; uma maravilha “de trazer por casa” nestas noites, e dias, frios. Adicione-se-lhes sofá & alfarrábio e temos paraíso.

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Da arte circence em regimes parlamentares

Demorou o seu tempo (escala cronológica das universidades da Junqueira a quanto obrigas) mas chegaram lá.

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pobre diabo se for comprar almas a tal súcia

…parvo do mafarrico se cair nessa de ir por ali ao mercado de almas; quando muito terão para venda software de calculadora…

E pelo que se tem visto…, de contas de sumir.

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