Boxeando o boxer

IMG_20170724_142757 Amarelinha saída da revisão, fina prás curvas, ligerinha dos sapatos, Nazar’é um pulo…

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Raridades e riscos

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Uma raridade, esta crónica no DN e este cronista: um plumitivo que sabe o que é uma paveia, uma enxada e,… roçar mato. Raridade ainda maior, que o o confessa:

A última coisa que um miúdo com 12, 13 anos quer, durante as férias do verão, é ir cortar mato. Sobretudo quando os termómetros marcam mais de 30 graus, quando toda a gente está na praia e, não menos relevante, quando se detesta essa nobre e importante arte de… cortar mato. Mas três meses de férias escolares dão para fazer muita coisa e os meus pais sempre acharam importante ensinar–me a cuidar da terra. Por isso, num desses períodos de férias de verão, a minha mãe decidiu que eu ia com o meu tio cortar mato para um pinhal de família. Ele levava a sua enxada, eu a minha, e lá fomos nós. Que remédio!”

Correndo o risco de ficar ad eternum com este blog desqualificado  já aqui escrevi sobre esse instrumento que uso – a gadanha. Entre nós é quase desconhecido – povo que Fernando Pessoa disse só de príncipes na vida e de outros não tinha notícia – a não ser é claro (povo de iluminados) pela iluminura das Les très riches heures du duc de Berry, que ilustra os trabalhos de Junho. Mas eu não ganho a vida com isto nem procuro esclarecer a opinião pública, o risco é minúsculo.

Ao contrário, este pobre homem, ao confessar coisas destas numa crónica em jornal de referência, arrisca-se a ser para todo o sempre afastado do debate e banido da intelectualidade lusa.

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Bom nome: Bordel Investment…

[…] Segundo a investigação da TVI de Março de 2015, a alegada ficha de Filomena Martinho Bacelar na filial do HSBC na Suíça surgia ligada a um offshore chamado Bordel Investment Holdings Limited. […]

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fatalidade ou bênção

Não sou nem nem lembro ter sido aquele tipo de indivíduo a quem perspectiva  da morte (própria) amedronte. Hoje, na volta ciclística, alguns dos que por mim passavam apontavam para a cabeça. Admoestação. Não levei capacete. Muitas vezes não levo. Mais cedo ou mais tarde, um dia morrerei, não há capacete que me salve disso. Se morrer mais cedo, dado que não pratico golf nem invisto na bolsa, e sou assalariado, deixo de ser um peso prá economia. Enquanto vivo, e porque já vou nos cinquenta e cinco, de vez em quando apetece-me apanhar vento no cabelo. Não sei (o cabelo) quanto durará, é aproveitar.

Há coisa de um ano e picos, ligou-me flausina bem-falante a tentar vender um seguro de saúde. Dei em rir. «Ó minha cara senhora, isto pra quem nasce num país que elege um cavaco quatro vezes, a morte não é uma fatalidade. É uma bênção.» «Ai credo, não diga isso!», respondeu de lá a flausina.

Passaram três anos,

….e continuo indeciso.

Entretanto, e a respeito do indecidível, corre polémica de vulto no reino da Noruega. Kristian Skagen Ekeli (professor da universidade de Stavanger – alguns do seu trabalho está disponível aqui) co-publicou crónica no Atenposten onde sustenta que cidadãos ignorantes, irracionais e irresponsáveis (uvitende, uansvarlige og irrasjonelle borgere har en moralsk plikt til å avstå fra å stemme) têem o dever moral de se abster de votar.

Olhando canalha como a do vídeo acima, diria que o argumento do bom professor, não sendo fácil de engolir, dada a tradição ocidental, é de considerar.

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Estradas ribatejoso-ribeirinhas

não sendo da melhor qualidade as fotos do telefone esperto, ainda assim merece paragem (que não pra quatro cigarros e dois bagaços, mas isso é à escolha do freguês) a pequena barragem de Alpiarça com seu café. Sítio mimoso…

barragem

E depois pernas à estrada, rumo à ponte D. Luís, onde se rola enchendo o olho, ouvindo a música auriculosa que dá o dito telefone esperto. Confesso, com uma lágrima ou outra que se escapa e se misturará no vento fresco. Pela memória do meu pai sempre ansioso que eu chegasse em cada Verão para, ali, ao pé da vala à sombra dos plátanos ir comprar melões à feira improvisada. Era, uma das suas alegrias. Ir comigo aos melões a Alpiarça, os melões que perfumavam a adega todo o Verão, a sua sobremesa preferida nos almoços de família. Onde falta agora.

estrada alpiarça

Estradas formosas enfim, em contraste com um mal-trajado ou mal-roupido, este vosso criado que se assina Soliplass, que perdões roga e suplica por prosaica (e de comezinhas coisas) prosa,

alpiarça

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Soliplass utilitário

telhado destelhado

Esbanjada a vida em inutilidades, excepções há; ontem ajudei a destelhar o telhado de um amigo que casa antiga de seus pais recupera. Torreira do sol e muito vespeiro activo, como activíssimas andavam as senhoras suas inquilinas vespas, também conhecidas como “as da farda amarela”, ou “companhia de lanceiros nº 1”. O animal mais valente do mundo, que, quando aparece, outro remédio não há que dar às de Vila Diogo. [Porém o «Diccionario de Uso del Español» de Marta Moliner é um pouco mais claro. Na entrada «Villadiego», diz: «coger [tomar] las de Villadiego. Por alusión a las alforjas que se fabricaban em esta población, marcharse de un sitio precipitadamente ó huyendo.»]

E, já a horas tardias e sombreadas, lendo o bom Daniel, dou com a caixa de comentários a rezar por conseguinte:

Adelino Ferreira said…

Estou estou :)) desde que conheci este espaço já lá vão uns tempos (por um marinheiro com sede em Oslo e com blog que sempre visito e a quem nunca dirigi palavra) que aqui venho beber as crónicas do Daniel.
Sempre que o leio vem-me à memória um escritor/jornalista falecido recentemente.

July 20, 2017 at 6:12 PM

Daniel Abrunheiro said…

Sinta-se sempre bem-vindo, Adelino. Muito grato pelas suas palavras. E o “marinheiro com sede em Oslo”, idem.

July 21, 2017 at 2:31 PM “

Se aquele marinheiro com sede em Oslo sou eu, o mesmíssimo destelha telhados à torreira, ganhei o dia e talvez o título que encima o post. E porque a vida não são só trabalhos e utilidades, assim que terminar este café da manhã que aqui meio espera a meu lado, vou fazer dedicar a manhã ao aparentemente inútil. Na mesmíssima r6 pinacle das estradinhas de Schleswig-Holstein vou de Santarém a Alcanhões e de lá plo Pombalinho bordejando milharais até à Golegã, ver a ponte da Chamusca, vir por í a baixo desabrido por Vale de Cavalos quiçá que a outra cavalgadura bi-rodada não negará passagem, e perfumar as narinas com meloais de Alpiarça. Outra das minhas voltas paraíso-ciclísticas. Encorajado plas boas-vindas do Daniel, vou ali já volto a ver se gosto tanto desta terra como ele. Gostar das coisas, parece-me, é uma forma de utilidade.

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É claro,

que isto de eu considerar o abaixo um dos melhores romances que li em língua portuguesa não tem que ser referência. Não reivindico autoridade. Em questões de literatura, ou outras. Da mesma forma que – um arrogantíssimo filho da puta que sou – não a reconheço.

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