A análise e explicação política (ab Sodoma et Gomorrha) pelas províncias

Era a meio de uma manhã nos tempos pré-históricos em que Ferreira Fernandes ainda defendia Sócrates; entrei no café, cumprimentos da praxe, o convite:

«é pá assenta-t’aqui a buêr um café c’a malta»

A destoar dos outros do «deixa cá ver as gordas aqui do Correio da Manhã», ainda há um que passa pelo quiosque a cinco quilómetros dali e compra (ou comprava) o Diário de Notícias. E às tantas diz:

«É pá porra, qu’este Ferreira Fernandes tá sempre a defender o Sócrates. S’inda fosse esta que tamêm práqui escreve do nariz comprido, esta Fernanda Câncio a defendê-lo, nim eu m’admirava,… que dizem prá’í qu’ele que tranca a garrocha nela que é com’in cabra velha… e faz ele bem! qu’se foss’ eu fazia o mesmo qu’ela é bem boa a puta!»

Diz o do lado repentino e sentencioso, quase indignado por do óbvio se fazer mistério:

«Atão pronto! E a esse aí, se bên calha foi-lhe ó cu tamêm. Qu’ele a modos qu’é barrasco e aquilo lá pra L’sboa anda tudo tonto! In um gajo passando ali de Vila Franca pra baixo,… mê amigo! Nã se perdoa nin a são nin a doente, nin a mulher parida de três dias!»

Risota. Galhofa armada. A do café já brada aos céus (mas a gostar de ouvir, e a pilhéria é também boa para o negócio):

«Ai deus noss’nhôr me valha e nossa s’nhôra m’acuda! S’isto nã há mais brutos no mundo que gente!»

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Resolução genial

Em Washington.

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Reblogando

um artigo velho aqui do Âncoras (relacionado com o assunto do post anterior) que já data de 2012: Amostras, arenas e comediantes

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Grande post: só falta saber uma coisa…

Onde é que se assina por baixo?

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Histórias e ironias

Ando há dois dias a admirar isto.  Com muita inveja, confesso.

Do outro lado do espectro, aqui na blogosfera, encontam-se páginas prodigiosas de análise ou de síntese. Às vezes blogs inteiros que já contam década e picos. Há contudo uma regra de ouro cujo uso me parece prudente; não dar grande importância a textos de gente que nunca conta uma história ou usa a ironia. Nem confiar no autor.

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Pureza e impureza

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Dia de viagem. Escolho para leitura de avião este Jern & Metal (Ferro & Metal) de Levi Henriksen. Colectânea de contos de um escritor que se tem vindo a consagrar na Noruega e que faz cenário da sua ficção uma àrea junto à fronteira sueca em zona florestal de população esparsa. E que escreve usando uma linguagem que reflecte os dialectos locais. Uma linguagem “impura”, diríamos nós por cá…

Houve tempo que isso me irritava. Em parte porque não compreendia os termos e tinha que ir por eles aos diccionários ou à net. Em parte pelo vício português da correcção extrema da grafia e da sintaxe. Hoje aprecio essa variedade. A sonoridade. E o melhor transpôr da forma como se fala para a escrita.

Um dia destes quando me pediram para traduzir partes da peça de Jon Foss  tive vontade de a traduzir em… açoreano de aldeia piscatória. Cada vez mais me irrita ver na ficção portuguesa um bate-chapas de Fornos de Algodres ou  a senhora da mercearia da Gafanha da Nazaré a dialogar em linguagem dos lentes de Coimbra. A obcessão pela pureza resulta em fantochada sem pés nem cabeça. E sem sabor.

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Impressões e palpites

No café, enquanto vou tomando a bica ao balcão, ouço na televisão do canto que (numa sondagem qualquer) o PS se aproxima de uma maioria absoluta.

No Causa Nossa leio que «Argumentei várias vezes que a Geringonça é uma solução governativa demasiado onerosa em termos orçamentais (seguramente mais de mil milhões por ano em aumento da despesa corrente)».

Espero que os portugueses não caiam na esparrela de conceder novamente através do voto o aval a essa espécie de ditaduras plebiscitadas que são as maiorias absolutas. A impressão que me fica do que escreve Vital Moreira no Causa Nossa é que o que verdadeiramente o incomoda não é o oneroso da solução governativa da Geringonça. É que essa onerosidade tenha que ser negociada com os partidos à esquerda e uma parte mais ou menos substancial se destine a transferências para a parte menos afluente da população. Se a mesma maquia se destinasse a ajustes directos com as empresas de sempre, a empréstimos a empresas sediadas em off-shore, a benefícios e mordomias à classe gestora e rentista do país a coisa não o incomodava por aí além.

O meu palpite é que ainda que na aparência a solução governativa actual com os seus (segundo ele) mais de mil milhões por ano em aumento da despesa corrente seja onerosa, na prática tem as condições para ser económica. Curto e grosso, rouba-se menos. Numa solução governativa desta natureza, o maior partido, o PS está fiscalizado pelos parceiros de coligação. Não pode, como em ocasiões anteriores, fazer do orçamento o que quer e distribuir apenas por quem lhe convêm. E deixar roubar os de sempre, que nisso o maior partido da oposição, o PSD, nunca o fiscaliza ou fiscalizou por aí além.

Mas isto são só impressões minhas, que de política ando arredado. E claro, Soliplass é um boneco. Sou Vitor Rodrigues, licenciado em Ciência Política pela FCSH, e (creio que ainda) o militante nº 59145 dessa “plataforma de negócios” que conhecemos por PS.

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