Inventa aí um verso. Um verso bem louco

De Otto Leopoldo Winck em aedoscuritibanos,

Inventa aí um verso. Um verso bem louco.

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O castelo, a paisagem e o cheiro

Neuschwanstein. Outono, viagem de Munique, tempo claro. Ventoso, na auto-estrada saraivadas de folhas douradas arrastadas dos bosques compunham um cenário de filme.

Depois, já em estrada local, a paisagem inacreditável, o vale, as montanhas ao fundo, os lagos, o castelo. Tudo se conjugava para a viagem perfeita, o período ideal do ano para admirar uma das mais celebradas paragens do mundo. Quase tudo, enfim…

Era também a altura do ano em que se fertilizavam os solos com estrume. A visita ao castelo, a natureza circundante, a estadia num chalet de madeira de bonita construção, tudo era vencido por um cheiro a merda de vaca a que nada, nem janelas nem paredes, parecia obstar.

Apresentaram-nos hoje uma paisagem parasidíaca, arquitectura orçamental e financeira de génio. Protestam uns e outros e outros ainda

Para a maioria, público em geral ou outra designação qualquer, tal como eu em Neuschwanstein, impotente de alterar o que quer que fosse, resta voltar costas ao assunto e tentar ignorar a ubiquidade do cheiro a merda.

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A arte como arma branca

(foto d’aqui)

A polémica andou à volta de aquilo ser arte ou não, do preço subtraído ao erário público, do potencial como arma de arremesso à cor de política partidária.

Gajo de coisas práticas, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a exposição em espaço aberto – e sem sinal aparente de aviso de perigo – de vigas de ferro em quina viva. Antes de arte ou outra coisa qualquer, o que aquilo parece ser é uma arma branca à espera que alguém (crianças na brincadeira por exemplo) por distracção ou azar se lá fira gravemente ou se mate. Nesse sentido, é um perfeito monumento à arte da irresponsabilidade. Do “artista” e da autarquia.

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Ler os outros

Raquel Varela, Contas incertas:

“Tenho lido estas notícias recorrentes “cada português dá para a banca x por mês”. Não. Não é cada português. São os portugueses que vivem do trabalho e que pagam impostos. Isto porque há parte dos portugueses – 47% de pobres – que não pode dar nada, por mais que desejasse salvar os capitais de banqueiros em apuros. E há uma parte dos portugueses que não dá – recebe: banqueiros, alguns empresários, investidores (na divida pública ou em imobiliário onde colocam capitais parados), accionistas de PPPs, membros de conselhos de administrações que recebem dividendos, etc. São os assalariados que têm pago esta factura – o que dá muito mais do que 15 euros por mês. Dá na realidade quebras reais de rendimentos na ordem de pelo menos 25% a 40% ( se contabilizarmos salário directo, indirecto, e relativo).

Não são 10 milhões a pagar. Alguns milhares – contando com as famílias – não andam “há dez anos a pagar”. Andam há dez anos a receber.”

Pedro Arroja, Os melhores do mundo:

“No comunicado do próprio TEDH a anunciar a condenação do Estado português por violação do artigo 2º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem escreve-se textualmente:

“The Court found in particular that the criminal investigation had not satisfied the requirements of Article 2 of the Convention. It noted that a number of urgent measures could have been ordered in the immediate aftermath of the tragedy” (cf. aqui).

A razão da condenação é, portanto, a de que a investigação criminal foi mal feita, enformando de vários vícios e defeitos e o TEDH atribui culpas directas ao Ministério Público, que dirigiu a investigação.

Deviam ser, portanto, os magistrados do Ministério Público que conduziram a investigação a pagar a indemnização aos pais das vítimas fixada pelo TEDH (cerca de 13 mil euros), e não os contribuintes portugueses.

Mas, como se sabe, os magistrados do Ministério Público fazem parte de uma casta que não responde pelos erros que comete, ao contrário de qualquer outro profissional (médico, contabilista, motorista de autocarro, etc.).

Mas, há mais. Na altura, os pais dos adolescentes mortos protestaram precisamente por a investigação criminal ter sido mal feita, um protesto a que o TEDH veio hoje dar razão.

E o que lhes fez o magistrado do Ministério Público que aparentemente conduziu a investigação?

Pôs-lhes um processo por difamação (cf. aqui).”

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Insuficiências de Rui Rio

Não admira as dificuldades. Não parece suficientemente, velhaco, chico-esperto, troca-tintas, ordinário, para ajuntar, e ser reflexo da, confraria. Falha ali “espelho” na representação política.

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Assólhado, assolhadinho

Nestes dias de frio e sol doce, continuo a usar ali pelas aldeias as palavras dos meus antecessores; assólhado e assolhadinho. Em vez de soalheiro, sítio em que o sol incide.

Lembra o conforto de mulheres viúvas de lenços pela cabeça gozando calor e sol da tarde à soleira da porta, paredes caiadas, tufos de alecrim à frente delas.

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Os erros de escrita e a polémica literária do ano na Noruega

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Para um leitor português, habituados que estamos a uma correcção ortográfica e gramatical extrema (que raia a obsessão), a coisa é estranha, para não dizer surreal. Originou a polémica literária do ano passado na Noruega; novamente me lembro disto ao ler o post de hoje no Chove, agora sobre os erros de Miguel Sousa Tavares.

Habituei-me, com a experiência de anos a ler literatura norueguesa, a uma certa liberdade que os autores usam na forma de escrever. Desde regionalismos a reprodução de dialectos ou sotaques nos diálogos, a mesma palavra pode aparecer grafada de forma diferente. Mas mesmo assim, parece que há limites…  A polémica do ano estalou, imaginem, porque, num romance de 112 páginas de um escritor conceituado, dois revisores, contratados pelo jornal Klassekampen, encontraram um 442, e o outro 558 erros ortográficos ou gramaticais.

Dag Solestad, tinha publicado na Primavera de 2019 o romance em causa (da foto acima), Tredje, og siste, roman om Bjørn Hansen. O livro teve boas críticas (ainda não o li), famoso e consagrado Solestad é considerado o novo Ibsen, inatacável, quase um parque nacional, como lhe atirou, apontando o exagero, um outro escritor norueguês. Não aceitou a crítica, a bem da liberdade criadora e de dar à língua norueguesa o uso artístico que bem entende, e, num extenso artigo de duas páginas também publicado no Klassekampen – que consta hoje na pagina da associação de escritores noruegueses (talvez para criar jurisprudência) – respondeu com um coloquial “kyss meg i ræva!” (beijem-me o cu!).

Defendendo-se, exigia um pedido de desculpas por parte do jornal, ao mesmo tempo que a responsável pela editora (Oktober), Ingeri Engelstad, que o jornal co-responsabilizava pelo tamanho do disparate/desleixo, por sua vez sacudia a água do capote argumentando que na escrita de Solstad não se mexe para não estragar a musicalidade e o ritmo, a “verdade do momento em que se escreve” e a “temperatura do acto de escrita”, e essas coisas…

Facto foi que o jornal se retractou e apresentou desculpas. O ano não acabaria porém para Dag Solstad sem la cerise sur le gâteau. A 24 de Dezembro o mesmo Klassekampen atribuiu ao escritor (ex aequo com Grethe Fatima Syéd) o prestigiado prémio cultural Neshorn (Rinoceronte). Cá temos os dois agraciados.

E esta hein? … como diria o outro! Cerca de quinhentos erros num romance de 112 páginas, um pedido de desculpas e um prémio…

Caro plúvio, seja magnânino, perdoe lá ao homem nem que seja por esta vez.

 

 

 

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