Coisas boas

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Domingo sem chuva, tempo fresco, estradas por olivais e charnecas. Deixar boxear o Boxer, parar p’la bica em restaurante de província… ignorar A Bola e o PSI20 – (nossos portentos de virilidade e  uivo)

 

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Coisas que se encontram nos livros – Those poor bits of rag-paper with black ink on them

«Literature is our Parliament too.»

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e, mais abaixo, na mesma página do On Heroes and Hero-Worship  de Thomas Carlyle ( Lecture V – The hero as a man of letters; Johnson, Russeau, Burns):

«of all things which man can do or make here below, by far the most momentous, wonderful and worthy are the things we call Books! Those poor bits of rag-paper with black ink on them»

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quando um Deus maior e mais urgente é revelado nos olhos de quem se ama

 

Da herança de armas escolho esta. A velha e sólida pombeira Colibri. Sempre a minha favorita. E a (de toda uma vida) do meu pai.

Lembrei há poucos dias o episódio ao limpá-la. Em certos dias, ao abraçá-lo na despedida quando me ia levar à Estação de comboio, eu rumo ao aeroporto e a outro país, se a tonalidade ou o intenso da luz (a lembra a daquela tarde) era de molde, lembrava-me daquele “quase-crime”. Há mais de uma década tinha estado mal. Às portas da morte. Dependente. A dar trabalho. Sentindo-se inútil. E um dia confessou:

– A tua mãe escondeu as espingardas, mas é fácil dar com elas. Isto não é vida, peço-te desculpa…

Pedia desculpa de planear dar termo àquilo que já não era vida. E eu soube que seria aquela, a Colibri, o instrumento. Foi conversa de poucos de segundos. Nunca precisámos de grandes conversas. E a resposta saiu de forma imediata:

– Não precisa estar sozinho; pomos os dois o dedo no gatilho.

Respondeu, de lágrimas nos olhos que isso não. Que nunca seria capaz de me implicar num gesto desses. De qualquer forma, a resposta saiu imediata. No momento soube que esse era o meu dever. Provavelmente facilitaram os valores que partilhámos: o gosto pela vida, a auto-suficiência, o nojo por ser vivo a qualquer custo – a coisa que mais transforma um ser humano em animal. A minha resposta revelou-se (com o tempo) errada. Teria uma década e tal de vida (bastante boa) ainda, depois de recuperado da doença. Foi errada a resposta, o estar disposto a pousar com ele o dedo no gatilho? Uns dias sim, outros não. Teria tido a coragem no momento decisivo? Penso que sim, mas pensar é fácil…

Essa foi, a minha experiência (nunca concretizada) de suicídio assistido. Ou, se assim quisermos, de eutanásia.

Durante estes últimos dias foi intenso o debate sobre o assunto, muito se disse e escreveu. À luz da minha experiência, nenhum post na blogosfera ultrapassa este no Mãe Preocupada e a frase quando um Deus maior e mais urgente é revelado nos olhos de quem se ama

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Ler os outros

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manhã de nevoeiro no Rei dos Leittões

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Mãos de prata

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Ao circular pelas redondezas vou vendo o produto dos trabalhos do meu melhor amigo, mostrando à minha mãe que tem passado as últimas semanas comigo, as palmeiras limpas por ele. Admira-se ela com as alturas em que trabalho tem que ser feito; e especialmente  (olho de camponesa) com o não ver deixadas feridas nas árvores. Diz dele, «aquilo tem umas mãos de prata.»

A meio da semana, no decorrer de jantar tardio, conto-lhe divertido a afirmação das mãos de prata. E aprecio a sorte de tal jantar. Atrás de mim, uma mesa de mais de meia dúzia de raparigas já adultas ou muito perto disso, pintadas e com roupas apelativas (pelo lado do pouco pano) fazem um escarcéu do diabo. Adivinhava-se festa rija pela noite dentro. E é um prazer jantar com um tipo que não fica a babar-se com miúdas que terão idade de ser nossas filhas, a fazer comentários menos elegantes, a espiar. Nele acresce às mãos de prata maneiras d’oiro.

Vejo ao longo das estradas as palmeiras elegantes enfunadas de vento, e são como pendões de esperança; sinais de que, apesar de raro, nem tudo é javardice e parasitarismo. Há mãos de prata e maneiras d’oiro.

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Que responder ao óbvio?

Ámen!

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Piedade e fé, franciscanismo, irmãos em cristo

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Ao ver isto no blog de um confrade a respeito de uma certa mafiosidade lusa, fui pelo velho texto, de um dos capítulos (The ferry  torres to Sicily) do The Pillars of Hercules, de Paul Theroux.  A admirável coisa reza assim:

«In 1962, the Fransciscan monks of the monastery of Mazzarino in central Sicily were put on trial, charged with extortion, embezzlement, theft, and murder. The prior, Padre Carmelo, was the capo of this band of Mafia monks. He was a sinister, sprightly man – greedy and libidinous, with Mazzarino in his foxy jaws. The monks were eventually found guilty of most of the charges at their trial in Messina. And it emerged that what was perhaps the most surprising aspect of their criminality was that it had not interfered with their religious routines. The fact that they entertained prostitutes, and ordered kilings, and amassed large sums of money in their extortinate activities never prevented their hearing confessions, saying masses, or preaching at funerals – in at least one case, the monk in question saying a funeral high mass and preaching piously over the body of a man he had ordered killed.»

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