Títulos que se enquadram

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Título que se enquadra; ou enquadramento que lhe diga (ao título)… “se non è vero, è ben trovato”.

Abstenhando-me de fogos, que a ótoridade pra falar de prevenções e combates, gestão de recursos e planificações, florestais ou outras, é, ou parece ser, proporcional ao custo da gravata.

Não é por má vontade, mas por inútil; como trago explicado, para descrédito aqui do âncoras, eu, é mais cavacas. Por contraponto a um Zé Gomes Ferreira da SIC (ou, fórdefóquesseique, a uma senhora académica da Universidade aveirense) trago demasiada resina debaixo das unhas pra falar disso…

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Ideais-tipo e a bloga

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Em “O Meças”, romance que é tratado de sociologia lusa e dos mais agudos, Rentes Carvalho faz-nos ver, hospedados num hotel transmontano, uns personagens místicos a quem as gentes locais, ávidas ou necessitadas, votam reverência. Até que (sic), “Subitamente desaparecem ambos”. São eles, segundo a descrição de Rentes, deste feitio :

“o garbo acentuado pela magreza, longas melenas grisalhas, o senhor veste linho branco como os coloniais de antigamente, deles guarda o azedume autoritário com que fala ao pessoal e atende os que lhe vêm com petições ou esperam ordens.

Isolado num recanto, pernas estendidas, fazendo girar a bengalinha de castão de prata, escuta os requerentes com um ar de soberano tédio, acena que sim a este, despede outro com um agitar dos dedos, quando se levanta mostra uma displicência
aristocrática, e os que ali estão recuam, abrem alas, demonstrando o misto de respeito, subserviência e medo que se espera dos oprimidos na presença do ditador.”

(…)

“Ali no canto o homem dá audiência e despacha como lorde em salão de castelo, nem sequer falta o secretário que, reverente na postura, lhe traz um por um os solicitantes.”

E a acompanhante:

“Em certas tardes, hierática, esfíngica, de palidez nórdica e vestida de sedas que a cobrem por inteiro, senta-se com ele uma estrangeira a quem nunca se ouviu palavra.”

(…)

 “Certas manhãs, antes de o Sol nascer, vêem-na agachar-se junto da piscina, virada para o nascente, em pose de ioga e olhos fechados, murmurando como se estivesse a rezar.”

 

Às vezes, penso reconhecê-los por aqui, na lusa bloga…

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E porque quem nos avisa nosso amigo é…

Pedro Tadeu no DN: A “gerigonça” está em perigo?

«Pedro Passos Coelho acabou por ganhar as últimas eleições em Portugal, embora sem maioria para formar governo, entre outras razões porque uma parte do eleitorado receava o regresso ao poder do Partido Socialista e, com ele, a reescalada ao píncaro da corrupção nacional.

No domingo, um dos derrotados pelos êxitos da “geringonça”, António Barreto, escrevia aqui no DN que a verdadeira “obra-prima” (sic) de António Costa foi ter conseguido desassociar-se de José Sócrates e do seu governo que “apoiado nalguma banca pública e privada, ajudado por um bando de empresários sem escrúpulos e assessorado por consultoras internacionais complacentes, atingiu níveis de endividamento único na história de Portugal, assim como de corrupção, de desperdício de recursos, de destruição de empresas públicas, de favoritismo em concursos e nomeações…”

Pois é este capital político que António Costa coloca em perigo com a nomeação de figuras do antigo “arco da governação” para liderar instituições como a Caixa Geral de Depósitos ou a TAP, dando o sinal de que o “bloco de interesses”, que sempre originou a corrupção no país, está, afinal, de boa saúde e operacional.

É este capital político que António Costa coloca em perigo quando nomeia um amigo para o conselho de administração da TAP ou quando uma sobrinha do líder parlamentar do PS aparece contratada por uma empresa da Câmara de Lisboa.

É este capital político que António Costa coloca em perigo quando “deixa acontecer” o acordo “por debaixo da mesa” com António Domingues na CGD ou o ridículo bilhete e viagem para um jogo de futebol ofertado pela Galp e aceite por um secretário de Estado.

Este é também capital político do PCP e do Bloco de Esquerda, que estiveram sempre fora destas negociatas que beneficiaram também, muitas e muitas vezes, o PSD e o CDS.

E se PCP e Bloco podem, por enquanto, ceder alguma coisa ao PS e à União Europeia em matérias económicas – em nome do bom senso e da melhor solução possível, no curto prazo, para os mais desfavorecidos – não podem é ceder em matérias de promiscuidade política/financeira e em matérias de corrupção, pois a sua própria sobrevivência política seria, dessa forma, posta em causa.»

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Zarpando

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Zarpando hoje de cidade alemã, venho fumar um cigarro ao sítio do costume. A sala de fumo é menos má, com vista pró mar, hoje presenteando a tripulação da escuna com sol e brisa (fagueirinha – nem de encomenda), visão das gentes domingueiras velejando a tarde.

Descendo aos aposentos onde há net, zarpo daqui por essa bloga fora ao acaso, passo pelo Ouriquense e pel’A morte do escritor, vou parar ao texto de Guerreiro no Público e sua crítica «uma campanha bem sucedida porque no dia seguinte houve abundantes notícias e reportagens sobre a aldeia de Estevais e o filho ilustre da terra» e acabo num sítio já esquecido: o post que, há já mais de uma década, Pacheco Pereira deixou no Abrupto em homenagem do labrinto solitário de Mário Sottomayor Cardia. Cuja primeira frase é, simultaneamente, historiográfica e profética:

«Em Portugal os mortos são todos bons e os vivos todos maus. A explicação é simples: tudo é escasso, os bens são escassos, logo cada vivo ocupa um lugar a mais, o lugar que poderia ser o meu.»

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Ler os outros

 

Um (preocupado) dedo nessa grande ferida nacional, este A azeitona de Mexia de Raquel Varela. Não é apenas um post excelente (concorde-se ou não com a totalidade do ali exposto). É também uma oportunidade relativamente rara entre nós. Dar com um académico preocupado com a sorte dos seus concidadãos mais desfavorecidos.

Tendo que pagar duas facturas de electricidade, uma de um apartamento em Portugal e outra do apartamento em Oslo, que a maior parte do tempo só têem ligado um frigorífico e um router, chego a esta conclusão; o fornecedor norueguês, a Hafslund, cobra-me cerca de metade do que me cobra a EDP. E ainda me avisa (porque aqui se paga o serviço da rede de abastecimento eléctrico à parte) que serviço de rede não é exactamente aquilo para que estão vocacionados, pelo que se procurar outra companhia encontrarei preço mais barato que aquele que me cobram.

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Emancipação feminina e a Ribeira dos Milagres

Era executiva de uma das empresas que o cavaquismo deixou a pastar no celebrado baldio do que é de todos não é de ninguém. Bastante emancipada e de formação superior. Sôdôtora até na própria cabeleireira. Controlada, não se lhe notavam falhas em questões de maîtrise de soi, à excepção de um ocasional escapar de expressões como «derivado a», ou «fazer praia».

Foi com surpresa que lhe vi levantar, num repente, a mão ao filho. A julgar pelo súbito e impetuoso do gesto à ferreiro, o carolo vinha de martelo em bigorna. O rapaz, pachola e deixa-andar, um pouco maria-vai-c’as-outras como é próprio dos adolescentes, tinha pago não sei o quê (nem que montante), creio que uns ingressos num concerto, a umas colegas de liceu.

Depois, também num repente irado, trouxe a mão lá de cima, da posição de culatra-atrás para a frente dos olhos, onde ficou num movimento de escova de pára-brisas. Oscilando a um lado e ao outro.

O berro: «Olha! Tapado! És um tapadinho!» E rugindo depois, um olhar de desprezo: «Não te ponhas a pau não!» «Não te ponhas a pau que essas putas comem-te as papas na cabeça!»

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Lembranças, camarões secos

Tenho, no início de turno, duas horas a trabalhar à-la-carte no almoço do restaurante de topo, no décimo quinto deck. Hoje, alguém, não soube quem, reclamou dos camarões da sandwich. Veio a minha colega garçon, simpática demoisele, comunicar a reclamação um pouco estapafúrdia. Os camarões da sandwich estavam secos. Mas, nunca se sabe o que é estapafúrdio ou normal para um e outro. É preciso cuidado. Com as pessoas, com os seus gostos e hábitos, com as interpretações. Um homem envelhecido e desgostoso da morte da esposa vive numa casa isolada numa floresta fria recordando uma história velha num romance de Per Paterson. Na companhia da cadela, replicando gestos a cada dia. Rituais. Como ele, o inventado, há muitos outros reais. Expliquei que não são secos, apenas bem escorridos para que a água em que são conservados não ensope o pão e a salada em que vão montados, para que não tenham água salgada a misturar-se na maionese. Mas que, tinha outros acabados de escorrer que tinham ainda bastante água ou humidade, se assim o desejasse quem reclamava que lhe montava outra rápidamente.

Aceitou. Entrei depois, quando tive tempo disso, na sala. Já não vi quem era. Vi sim, a mesmíssima arquitectura, sob outra luz hoje, o recanto onde tirei a foto que ilustra o texto de Holbrook Jackson  no The Anatomy of Bibliomania. Lembrei uma das fotos que mais gosto aqui do âncoras. A vida caro leitor é uma improvável mariscada, exdrúxula coisa de secos e molhados.

 

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